Certificação Angels: o que um hospital precisou mudar para conquistar

Toda certificação internacional tem duas histórias. A do selo na parede e a que quase nunca é contada: o que precisou ser desmontado e remontado dentro do hospital. O novo episódio do Saúde em +30 Minutos, programa do IMCELER apresentado pelo Dr. Diógenes Zãn, CEO do instituto, é sobre a segunda.
O tema é a certificação do Hospital Nossa Senhora das Graças, em Canoas, na linha de cuidado do AVC. E a primeira pergunta às convidadas define o tom: não é “como foi conquistar”, é “como era antes”. Participam Luciana Link Andretta, diretora assistencial, e Thainá Dias Luft, responsável pela análise de dados da instituição.
Como era antes: não existia fluxo
Antes do projeto, não havia fluxo definido para o paciente com suspeita de AVC. Ele era atendido como qualquer outro caso da emergência, e a conduta dependia de quem estava de plantão. Em uma doença tempo-dependente, essa variação cobra caro.
O primeiro passo não foi comprar nada. Foi medir
Thainá abre o episódio com a frase que sustenta toda a conversa: sem dados, a gestão trabalha na impressão. A instituição acha que presta um bom serviço, mas não consegue comprovar nem corrigir.
Cada paciente com hipótese diagnóstica de AVC passou a ter registrado o horário de chegada, o tempo até a tomografia, o acionamento do especialista e a medicação. Esse conjunto de registros viraria, meses depois, o dossiê submetido à avaliação internacional.
Os indicadores que sustentaram a certificação
A certificação Angels não avalia intenção. Avalia número.
- Tempo porta-agulha: de 138 minutos, ou 2h18, para uma mediana de 66 minutos
- Tempo porta-tomografia: de 25 minutos para 11, chegando a 6 minutos
- Tomografia até o acionamento do especialista: de 40 para 20 minutos
Há casos em que a equipe realizou a trombólise dentro de 30 minutos. Para dimensionar o peso disso: a cada minuto sem tratamento, cerca de 1,9 milhão de neurônios são perdidos.
O obstáculo que quase ninguém antecipa
Aqui está o trecho mais contraintuitivo do episódio. Luciana é direta: treinamento não resolve aderência.
Capacitar a equipe ajuda, mas não garante que o fluxo será seguido quando ninguém estiver supervisionando. O hospital funciona 24 horas por dia, e pessoas aderem quando entendem o porquê, não quando são apenas instruídas sobre o como.
Onde a telemedicina entrou
Antes da parceria, a neurologia noturna era o gargalo. Com o TeleAVC® IMCELER, o hospital passou a contar com neurologista 24 horas por dia e registro da conduta em prontuário. A decisão sobre trombolisar deixou de ser solitária e a equipe ganhou segurança para agir.
Ainda assim, o episódio marca um ponto que define como o IMCELER implanta seus serviços: ter alguém disponível 24 horas não é o serviço inteiro. Telemedicina de alta complexidade só funciona acoplada a fluxo, dados e educação continuada.
A certificação é consequência, não meta
A leitura que Thainá faz da conquista serve de recado para qualquer instituição avaliando esse caminho: a certificação não foi o objetivo perseguido, foi o resultado de um trabalho que uniu emergência, imagem, neurologia, enfermagem, reabilitação e nutrição em torno de um mesmo propósito.
Assista ao episódio completo
A conversa traz ainda quais indicadores realmente importam além dos óbvios, como funcionam os rounds semanais com a equipe assistencial e um recado final sobre empatia na gestão em saúde.
Assista ao bate-papo completo no canal do IMCELER no YouTube e siga o canal para acompanhar essa e outras conversas: youtube.com/@imceler

