ANCP lança Atlas dos Cuidados Paliativos no Brasil com mapa de 423 programas

2 de outubro de 2026
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A Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP) lançou em 17 de setembro de 2026 o Atlas dos Cuidados Paliativos no Brasil, em webinar transmitido ao vivo pelo canal TV ANCP, no YouTube, e pelo perfil da entidade no Instagram. A publicação consolida o levantamento nacional que identificou 423 programas de cuidados paliativos em atividade no país em 2025, ante 234 em 2022.

A apresentação do Atlas ficou a cargo de seu autor principal, o médico Rodrigo Kappel Castilho, paliativista e intensivista, ex-presidente da ANCP (2023–2024) e coordenador da linha de Cuidados Paliativos do IMCELER. O lançamento reuniu ainda representantes da ANCP, do Conselho Federal de Medicina (CFM), do Ministério da Saúde e do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).

O que o Atlas dos Cuidados Paliativos revela sobre o Brasil

Os dados do Atlas foram apresentados pela primeira vez em março de 2026, durante o XII Congresso Latino-Americano e XI Congresso Brasileiro de Cuidados Paliativos, em São Paulo. Segundo a ANCP, o número de programas cresceu 88,8% entre 2022 e 2025.

A expansão, porém, não foi homogênea. O Sudeste concentra 40% dos programas, seguido por Nordeste (28%), Sul (16%) e Centro-Oeste (13%). A Região Norte responde por apenas 3%. A distribuição também é fortemente urbana: cerca de 65% dos serviços estão em capitais.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Worldwide Hospice Palliative Care Alliance recomendam ao menos dois serviços de cuidados paliativos para cada 100 mil habitantes. De acordo com o Atlas, a razão observada no Brasil varia de 0,33 no Centro-Oeste a 0,12 no Norte — muito abaixo da referência internacional em todas as regiões.

Crescimento em número não significa estrutura

O dado de maior impacto para gestores é qualitativo. Segundo o levantamento, 65% dos programas mapeados não atingem os critérios mínimos para serem considerados especializados — entre eles, fluxos assistenciais definidos, protocolos estruturados e equipe com dedicação à área.

O resultado tem relação direta com a metodologia. Pela primeira vez, o Atlas foi construído por busca ativa em todo o país, com participação de lideranças estaduais e mapeamento de unidades com potencial de oferta, incluindo hospitais de alta complexidade em oncologia. As edições anteriores se baseavam majoritariamente na adesão voluntária dos serviços.

“O avanço que o Atlas mostra não é apenas de quantidade, mas de qualidade da informação. Hoje, conseguimos enxergar com mais precisão onde estão os serviços e, principalmente, onde ainda há vazios assistenciais no país”, afirmou Castilho, autor principal da publicação, ao portal Futuro da Saúde, em março de 2026. Na mesma ocasião, ele defendeu que a prioridade é “qualificar e ampliar” os programas existentes, com formação adequada, equipes estruturadas e carga horária dedicada.

Política nacional, gestores estaduais e conselho profissional no mesmo debate

A composição do webinar reflete a fase atual da área no Brasil: a passagem da expansão espontânea para a organização em rede, sob a Política Nacional de Cuidados Paliativos, instituída pela Portaria GM/MS nº 3.681/2024.

Ao lado de Castilho, participaram do lançamento o médico paliativista João Garcia, presidente da ANCP (2025–atual) e da Asociación Latinoamericana de Cuidados Paliativos (ALCP, 2026–atual); a médica intensivista Maíra Pereira Dantas, conselheira regional de medicina e conselheira federal de medicina, representando o CFM; a médica de família e comunidade e paliativista Gabriela Hidalgo, coordenadora do Núcleo Nacional de Cuidados Paliativos da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde; e a enfermeira paliativista Carla Ulhoa, assessora técnica do Conass responsável pela área de cuidados paliativos.

A presença simultânea da sociedade científica, do conselho profissional, do gestor federal e da representação dos gestores estaduais não é protocolar. São as quatro instâncias das quais depende a implementação da política: a que produz o dado e a formação, a que regula o exercício profissional, a que habilita e financia, e a que organiza a rede nos estados.

Para hospitais, o Atlas funciona como linha de base. Ele permite comparar a oferta regional com a recomendação internacional, identificar vazios assistenciais e dimensionar o que separa um programa existente de um programa estruturado — distinção que tende a pesar em processos de habilitação e financiamento previstos na política nacional.

Da contagem de serviços à linha de cuidado estruturada

O IMCELER, instituto de telemedicina de alta complexidade, gestão de linhas de cuidado e educação continuada, mantém uma linha de Cuidados Paliativos coordenada por Rodrigo Kappel Castilho, autor principal do Atlas da ANCP. O modelo apoia hospitais na implantação de critérios de elegibilidade, fluxo assistencial, capacitação multiprofissional e acompanhamento por indicadores — os mesmos elementos que o Atlas aponta como ausentes na maioria dos programas mapeados.

A próxima fase dos cuidados paliativos no Brasil tende a ser medida menos pelo número de serviços e mais pela capacidade de cada um operar com protocolo, equipe e indicador. O Atlas da ANCP oferece, pela primeira vez com busca ativa nacional, a régua para essa medição.

Para saber mais sobre a implementação de linhas de cuidado com suporte especializado, acesse imceler.com.br.

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FAQ

Quantos serviços de cuidados paliativos existem no Brasil?

Segundo o Atlas dos Cuidados Paliativos no Brasil, da ANCP, havia 423 programas em atividade em 2025, ante 234 em 2022 — crescimento de 88,8%. Cerca de 65% estão em capitais.

Qual é a recomendação internacional de serviços de cuidados paliativos?

A OMS e a Worldwide Hospice Palliative Care Alliance recomendam ao menos dois serviços para cada 100 mil habitantes. No Brasil, a razão varia de 0,33 (Centro-Oeste) a 0,12 (Norte), segundo o Atlas.

Por que 65% dos programas não são considerados especializados?

O Atlas aplicou critérios mínimos como fluxos assistenciais definidos, protocolos estruturados e equipe com dedicação à área. A maior parte dos programas mapeados não cumpre o conjunto desses requisitos.

Quem é o autor do Atlas dos Cuidados Paliativos no Brasil?

O Atlas é uma publicação da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP). Seu autor principal é o médico paliativista e intensivista Rodrigo Kappel Castilho, ex-presidente da ANCP (2023–2024) e coordenador da linha de Cuidados Paliativos do IMCELER.

Onde acessar o Atlas da ANCP?

A publicação e o vídeo do lançamento estão disponíveis nos canais oficiais da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (paliativo.org.br e TV ANCP, no YouTube).


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