Diretivas antecipadas de vontade entram na pauta do IV Fórum de Infectologia do CFM

2 de outubro de 2026
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O Conselho Federal de Medicina (CFM) realizou em 18 de setembro de 2026 o IV Fórum de Infectologia da autarquia, em formato virtual, com o tema central “A Infectologia no Século XXI: Cuidado, Tecnologia e Prevenção como Tripé da Saúde Única”. Organizado pela Câmara Técnica de Infectologia do CFM, o encontro dedicou sua primeira mesa aos cuidados paliativos na infectologia, incluindo uma conferência sobre diretivas antecipadas de vontade em pacientes com doenças infecciosas crônicas.

A palestra foi proferida pelo médico Rodrigo Kappel Castilho, intensivista e paliativista, coordenador da linha de Cuidados Paliativos do IMCELER e ex-presidente da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP).

CFM aproxima infectologia e cuidados paliativos no debate ético

A abertura do fórum ficou a cargo do conselheiro federal Carlos Magno Pretti Dalapicola, 2º tesoureiro do CFM, representante do Espírito Santo, que representou a presidência da autarquia, e do conselheiro federal Domingos Sávio Matos Dantas, representante de Roraima e coordenador da Câmara Técnica de Infectologia.

A escolha de abrir a programação com cuidados paliativos sinaliza uma mudança de enquadramento. Doenças infecciosas crônicas e infecções graves em pacientes com doença avançada colocam o médico, com frequência crescente, diante de decisões sobre a proporcionalidade de antimicrobianos, de suporte intensivo e de procedimentos invasivos. Nesses cenários, a pergunta clínica deixa de ser apenas “o que é possível fazer” e passa a incluir “o que o paciente deseja que seja feito”.

A mesa foi presidida pelo conselheiro Francisco Eduardo Cardoso Alves, vice-corregedor do CFM e membro da Câmara Técnica de Infectologia, e moderada pela conselheira federal Maíra Pereira Dantas, representante da Bahia e coordenadora da Câmara Técnica de Medicina Paliativa do CFM.

Diretivas antecipadas de vontade entram na pauta do IV Fórum de Infectologia do CFM
Diretivas antecipadas de vontade entram na pauta do IV Fórum de Infectologia do CFM

Diretivas antecipadas de vontade: o que diz a Resolução CFM nº 1.995/2012

No Brasil, a principal referência normativa sobre o tema é a Resolução CFM nº 1.995/2012, publicada no Diário Oficial da União em 31 de agosto de 2012. A norma define diretivas antecipadas de vontade como o conjunto de desejos, prévia e expressamente manifestados pelo paciente, sobre cuidados e tratamentos que quer, ou não, receber quando estiver incapacitado de expressar sua vontade de forma livre e autônoma.

A resolução estabelece que o médico levará essas diretivas em consideração nas decisões sobre pacientes incapazes de se comunicar, que elas prevalecem sobre qualquer outro parecer não médico — inclusive sobre os desejos dos familiares — e que as diretivas comunicadas diretamente pelo paciente devem ser registradas no prontuário. A norma também prevê a figura do representante designado pelo paciente e ressalva diretivas em desacordo com o Código de Ética Médica.

Para o gestor hospitalar, o tema tem implicação direta na segurança jurídica e na qualidade assistencial. Sem um fluxo institucional para identificar, registrar e consultar as diretivas, a vontade do paciente tende a se perder justamente no momento de maior vulnerabilidade — em geral, na urgência ou na terapia intensiva.

Doenças infecciosas crônicas exigem planejamento antecipado de cuidados

Na conferência “Diretivas antecipadas de vontade em pacientes com doenças infecciosas crônicas”, Rodrigo Kappel Castilho abordou a aplicação do instrumento a pacientes com trajetórias longas de doença, nas quais intercorrências agudas podem levar a decisões sobre suporte de vida. Segundo o registro do CFM sobre o fórum, o palestrante destacou a prevalência da diretiva antecipada do paciente sobre outros pareceres, inclusive sobre os desejos de familiares.

Castilho é mestre em Ciências Médicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com residência em Clínica Médica e Medicina Intensiva e área de atuação em Medicina Paliativa. Presidiu a ANCP na gestão 2023–2024 e integra comitês da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e da ANCP.

Na mesma mesa, o médico geriatra e paliativista Douglas Henrique Crispim, membro da Câmara Técnica de Medicina Paliativa do CFM e ex-presidente da ANCP, apresentou “Uso de antimicrobianos no fim de vida”. Ele traçou um histórico do desenvolvimento dos antibióticos e alertou para a banalização do uso desses medicamentos. A infectologista Juliana Mandato Ferragut, coordenadora pedagógica do Instituto Paliar, tratou da comunicação de más notícias em infectologia e da necessidade de mudanças nos currículos de formação médica.

Era digital: telemedicina, inteligência artificial e redes sociais

A segunda mesa, “Infectologia na era digital”, foi presidida pelo infectologista Alessandro Comaru Pasqualotto, membro da Câmara Técnica de Infectologia do CFM, e moderada pelo infectologista Luis Enrique Bermejo Galan, também integrante da câmara técnica. O conselheiro Francisco Eduardo Cardoso Alves discutiu a telemedicina e sua aplicabilidade na infectologia.

O infectologista Hugo Manuel Paz Morales, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), apresentou o uso da inteligência artificial como preditor de resistência bacteriana. A conselheira federal Graziela Schmitz Bonin, representante de Santa Catarina e coordenadora da Câmara Técnica de Cirurgia Plástica do CFM, abordou o uso responsável das redes sociais pelos médicos.

Doenças imunopreveníveis fecharam a programação

A terceira mesa, presidida e moderada por Werciley Saraiva Vieira Junior, da Câmara Técnica de Infectologia, tratou de doenças imunopreveníveis. O conselheiro federal Eduardo Jorge da Fonseca Lima, representante de Pernambuco, falou sobre hesitação vacinal; Kleber Giovanni Luz, sobre prevenção da dengue; e Flávio Augusto de Padua Milagres, sobre prevenção do herpes-zóster — os dois últimos também integrantes da Câmara Técnica de Infectologia.

Da norma ao fluxo hospitalar

O IMCELER, instituto de telemedicina de alta complexidade, gestão de linhas de cuidado e educação continuada, mantém uma linha de Cuidados Paliativos coordenada por Rodrigo Kappel Castilho. Entre os componentes do modelo estão a comunicação e a decisão compartilhada com o paciente ou seu representante, com registro em prontuário — o ponto em que as diretivas antecipadas de vontade deixam de ser um documento e passam a orientar a assistência.

A presença do tema em um fórum de infectologia do CFM indica que as diretivas antecipadas deixaram de ser assunto restrito à medicina paliativa. Para hospitais, o desafio que se desenha é organizacional: transformar uma norma de 2012 em rotina verificável, com identificação do paciente, registro acessível às equipes de plantão e indicadores que mostrem se a vontade expressa foi, de fato, respeitada.

Conheça o modelo de atuação do IMCELER e descubra como ele pode se integrar à realidade do seu hospital.

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FAQ

O que são diretivas antecipadas de vontade?

São o conjunto de desejos, prévia e expressamente manifestados pelo paciente, sobre cuidados e tratamentos que quer ou não receber caso fique incapaz de expressar sua vontade. A definição está na Resolução CFM nº 1.995/2012.

As diretivas antecipadas valem mais que a opinião da família?

Segundo a Resolução CFM nº 1.995/2012, as diretivas antecipadas do paciente prevalecem sobre qualquer outro parecer não médico, inclusive sobre os desejos dos familiares. O médico deixa de considerá-las apenas quando estiverem em desacordo com o Código de Ética Médica.

Onde as diretivas antecipadas devem ser registradas no hospital?

A resolução determina que o médico registre no prontuário as diretivas que lhe forem comunicadas diretamente pelo paciente. Para que sejam respeitadas, o hospital precisa garantir que esse registro esteja acessível às equipes, inclusive no plantão e na UTI.

Por que o tema foi discutido num fórum de infectologia?

Pacientes com doenças infecciosas crônicas ou com infecções graves em doença avançada frequentemente enfrentam decisões sobre antimicrobianos, suporte intensivo e procedimentos invasivos. O IV Fórum de Infectologia do CFM, em setembro de 2026, dedicou uma mesa aos cuidados paliativos na infectologia.


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