Univates amplia neurologia especializada no Vale do Taquari e leva empreendedorismo em saúde à formação médica

A Universidade do Vale do Taquari – Univates promoveu, na noite de segunda-feira, 24 de agosto, uma atividade acadêmica dedicada ao empreendedorismo em saúde para estudantes do sexto semestre do curso de Medicina, em seu campus de Lajeado (RS). Realizada das 18h30 às 20h30, a aula integrou a agenda formativa do curso e discutiu, a partir de casos concretos do setor, como profissionais de saúde podem estruturar serviços assistenciais sustentáveis a partir de problemas identificados na própria prática clínica. O convite partiu da coordenadora do curso de Medicina, professora Roberta Pozza, e do gestor da área de Saúde da Univates, Anderson Felipe Habekost.
Formação médica incorpora gestão e empreendedorismo em saúde
A inclusão do tema no percurso formativo dialoga com uma lacuna reconhecida nas graduações em Medicina no Brasil: a formação clínica de excelência raramente é acompanhada de repertório em gestão, modelagem de serviços, regulação e sustentabilidade econômica da assistência. O resultado é um profissional tecnicamente preparado, mas frequentemente distante das decisões que determinam o acesso do paciente ao cuidado — desde a organização de fluxos assistenciais até a viabilidade de um serviço especializado em municípios de médio porte.
Ao levar a discussão para o sexto semestre — momento em que o estudante já transita entre a teoria e os cenários de prática —, a Univates posiciona o empreendedorismo não como alternativa à carreira médica, mas como competência complementar ao exercício da profissão. A abordagem é coerente com o perfil declarado do curso, voltado à formação de profissionais generalistas e humanistas, com senso de responsabilidade social e compromisso com a realidade regional.
Curso de Medicina da Univates consolida trajetória no Vale do Taquari
O curso de Medicina da Univates iniciou suas atividades em abril de 2014 e formou sua primeira turma em dezembro de 2019. Desde então, ampliou substancialmente sua capacidade formativa e sua inserção na rede assistencial da região, com práticas e estágios distribuídos entre hospitais do Vale do Taquari — entre eles o Hospital Bruno Born, em Lajeado, referência regional em atendimento de maior complexidade — e unidades da atenção primária de diferentes municípios.
A coordenação do curso é exercida pela professora Roberta Pozza, médica nefrologista com mestrado e doutorado em Medicina e Ciências da Saúde pela PUCRS e MBA Executivo pela Fundação Dom Cabral, com trajetória em gestão assistencial hospitalar e pesquisa clínica. A combinação de formação médica, acadêmica e executiva ajuda a explicar a permeabilidade do curso a temas de gestão, inovação e organização de serviços.
Atendimento ambulatorial em neurologia integra assistência e ensino
A atividade sobre empreendedorismo ocorre no contexto de uma relação institucional já estabelecida. Desde março de 2026, a Fundação Vale do Taquari de Educação e Desenvolvimento Social – Fundação Univates mantém contrato com o IMCELER para a oferta de atendimento ambulatorial especializado em neurologia, com atendimento integralmente destinado a pacientes do Sistema Único de Saúde.
O arranjo responde a uma dificuldade recorrente em regiões fora dos grandes centros: a escassez de neurologistas disponíveis para atendimento ambulatorial continuado. Ao viabilizar a presença de especialistas, a Universidade amplia simultaneamente duas frentes — o acesso da população regional a consulta neurológica especializada e a qualidade da formação prática dos seus estudantes, que acompanham os atendimentos sob preceptoria médica.
Esse desenho — assistência e ensino operando no mesmo cenário — é característico de instituições que assumem a dupla função de formadoras e prestadoras de serviço à comunidade. Para a Univates, que já opera convênios de saúde com municípios da região, a neurologia especializada agrega uma camada de complexidade ao portfólio assistencial mantido pela Fundação.
Ecossistema de inovação do Vale do Taquari dá lastro à agenda
A discussão sobre empreendedorismo em saúde na Univates não ocorre isolada. A Universidade mantém o Parque Científico e Tecnológico – Tecnovates e a Incubadora Tecnológica Inovates, criada em 2003, que tem entre suas áreas-foco justamente saúde e bem-estar. O ambiente reúne centenas de empresas entre residentes, incubadas e graduadas, e integra o Programa Gaúcho de Parques Tecnológicos (PGTEC) e a International Association of Science Parks and Areas of Innovation (IASP).
Esse lastro institucional reforça o argumento apresentado aos estudantes: negócios de impacto em saúde não nascem apenas em grandes centros. Nascem, com frequência, onde a carência assistencial é mais visível — e onde existe densidade acadêmica suficiente para transformar diagnóstico de problema em modelo replicável.
De demanda regional a linha de cuidado: o caso discutido em aula
A aula foi conduzida pelo neurologista e neurorradiologista intervencionista Diógenes Guimarães Zãn, diretor técnico e CEO do IMCELER, que utilizou a trajetória do próprio instituto como estudo de caso. O ponto de partida foi um problema estrutural e conhecido: a escassez de neurologistas em hospitais do interior do Rio Grande do Sul e o impacto dessa lacuna sobre o atendimento ao acidente vascular cerebral, condição tempo-dependente em que cada minuto de atraso está associado a pior desfecho funcional.
O caso percorreu as etapas que interessam a quem estuda empreendedorismo: identificação de uma dor assistencial concreta, desenho de um modelo operacional capaz de resolvê-la com segurança clínica, validação em instituições parceiras e, posteriormente, expansão para outras especialidades e outros estados. O IMCELER opera hoje linhas de cuidado especializadas em hospitais públicos e privados de seis estados brasileiros — Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Alagoas e Distrito Federal —, com atuação em neurologia, cardiologia, psiquiatria, cuidados paliativos e radiologia.
Três pilares: educação, gestão e assistência especializada
O modelo apresentado articula três frentes interdependentes. A assistência especializada combina telemedicina de alta complexidade e atendimento presencial, com suporte 24 horas por dia por meio de canal de telecomunicação dedicado e seguro. A gestão baseada em valor (VBHC) organiza cada linha de cuidado com protocolos, indicadores e métricas de desfecho clínico, reduzindo variabilidade assistencial. A educação continuada capacita de forma permanente as equipes multiprofissionais das instituições parceiras.
Serviços como o TeleAVC®, voltado à linha de cuidado do AVC, e o TeleInfarto®, dedicado ao infarto agudo do miocárdio, foram citados como exemplos de como um mesmo método de estruturação pode ser aplicado a diferentes condições tempo-dependentes. O caso da Univates ilustra outra face do mesmo método: nem toda solução exige tecnologia remota — parte da resposta à escassez de especialistas passa por presença médica qualificada, organizada em processo e articulada com o ensino.
Por que o tema interessa também aos gestores hospitalares
Discussões como essa extrapolam o ambiente da graduação. Diretores técnicos e gerais de hospitais de médio porte — especialmente filantrópicos e de referência regional — enfrentam a mesma equação apresentada aos estudantes: como garantir acesso a especialistas escassos, cumprir exigências regulatórias e sustentar indicadores de qualidade sem elevar a estrutura de custos. A resposta, em ambos os casos, passa menos por tecnologia isolada e mais por desenho de processo, governança clínica e capacitação continuada.
Ao abrir espaço para essa conversa dentro do currículo médico — e ao ancorá-la em um serviço assistencial que já opera na própria instituição —, a Univates antecipa em anos uma competência que costuma ser adquirida tardiamente, e reforça sua posição como universidade que forma profissionais atentos ao contexto de gestão em que a medicina é efetivamente exercida.
Conheça o modelo de atuação do IMCELER e descubra como ele pode se integrar à realidade da sua instituição.

