8º Simpósio de Cuidados Paliativos do HCPA recebe trabalho sobre triagem hospitalar

6 de novembro de 2026
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O 8º Simpósio de Cuidados Paliativos do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) abriu sua programação em 5 de novembro de 2026 com a sessão virtual de temas livres. Entre os trabalhos apresentados esteve um estudo sobre uma ferramenta digital de triagem para identificar pacientes com indicação de cuidados paliativos em hospitais gerais, exposto pela enfermeira Sâmia Faria da Silva, do IMCELER.

Simpósio do HCPA coloca a continuidade do cuidado paliativo no centro do debate

Com o tema “Cuidados Paliativos e Continuidade do Cuidado”, a oitava edição do simpósio é promovida pelo Programa de Cuidados Paliativos e pelo Serviço de Tratamento da Dor e Medicina Paliativa do HCPA, hospital público, geral e universitário vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre (RS).

O evento foi organizado em dois dias. O primeiro, em formato virtual, foi dedicado à apresentação de trabalhos científicos. O segundo, presencial, em 6 de novembro, reúne conferências e mesas-redondas sobre cuidados paliativos ao longo do ciclo vital, abordagens emergentes para o tratamento da dor e da depressão, a Política Nacional de Cuidados Paliativos e os desafios da transição do cuidado.

A proposta do simpósio é discutir estratégias para qualificar os fluxos assistenciais e ampliar a articulação entre atenção primária, serviços especializados, ambiente hospitalar e atenção domiciliar — o ponto em que a assistência paliativa costuma se fragmentar quando o paciente muda de serviço.

Comissão organizadora reúne enfermagem, residência multiprofissional e psicologia hospitalar

A comissão organizadora é formada por três profissionais com trajetória no tema. Juliana Petri Tavares é doutora em Enfermagem pela UFRGS, professora do Departamento de Enfermagem e do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da universidade e professora assistente do Serviço de Enfermagem Clínica do HCPA. Coordena o Programa de Residência Multiprofissional de Cuidados Paliativos e Oncologia e é coordenadora adjunta do Programa de Cuidados Paliativos do hospital.

Rosana da Silva Fraga é enfermeira paliativista, preceptora da Residência Integrada Multiprofissional em Saúde (RIMS) em Oncologia e Cuidados Paliativos e diretora de Comunicação da Academia Estadual de Cuidados Paliativos do Rio Grande do Sul (AECPRS). Simone Medianeira Scremin é psicóloga emergencista do HCPA, mestre em Ensino na Saúde e especialista em Psicologia Institucional e Hospitalar e em Cuidados Paliativos.

Identificação precoce é o primeiro desafio da linha de cuidado paliativo no hospital geral

A Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP), instituída pela Portaria GM/MS nº 3.681, de 7 de maio de 2024, prevê que a abordagem paliativa seja oferecida desde o diagnóstico de uma doença grave, e não apenas na fase final de vida. Para o hospital geral, isso desloca a pergunta central: deixa de ser “quando chamar a equipe de paliativos” e passa a ser “como reconhecer, de forma sistemática, quem tem necessidade de cuidados paliativos”.

Sem um instrumento padronizado, a identificação tende a depender da percepção individual de cada profissional e do turno em que o paciente está internado. A triagem estruturada tem por objetivo reduzir essa variabilidade e permitir que a equipe assistencial reconheça mais cedo os pacientes elegíveis.

Ferramenta digital reúne SPICT-BR, PPS e PPI em um fluxo único de triagem

O trabalho apresentado no simpósio tem como objeto uma ferramenta digital de triagem desenvolvida na linha de Cuidados Paliativos do IMCELER. Ela organiza, em sequência, três instrumentos de uso consagrado: o SPICT-BR, versão brasileira do Supportive and Palliative Care Indicators Tool, criado na Universidade de Edimburgo; a Palliative Performance Scale (PPS), desenvolvida pela Victoria Hospice Society, no Canadá; e o Palliative Prognostic Index (PPI), proposto por Morita e colaboradores em 1999.

A ferramenta é acessada pela intranet do hospital ou pelo celular e conduz o profissional de acordo com as respostas — ele não precisa saber de antemão qual escala se aplica a cada caso. Ao final, gera um resumo que indica se o paciente tem benefício da abordagem paliativa e uma estimativa prognóstica baseada nos escores obtidos. O objetivo é apoiar a equipe de enfermagem na tomada de decisão, sem substituir a avaliação clínica.

Autoria multiprofissional conecta assistência, gestão e qualidade

O trabalho é assinado por Sâmia Faria da Silva, enfermeira e coordenadora de novos projetos do IMCELER, que fez a apresentação; pelo médico Rodrigo Kappel Castilho, coordenador da linha de Cuidados Paliativos do IMCELER, CEO da Pallatium Cuidados Paliativos e ex-presidente da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP); pelo neurologista Diógenes Guimarães Zãn, diretor técnico e CEO do IMCELER; por Nicole de Moraes Pertile, líder de Operações; e por Gabrielli Barreto Gonçalves, do time de Operações do instituto.

A ferramenta foi desenvolvida no âmbito da linha de Cuidados Paliativos do IMCELER, cuja primeira implantação hospitalar ocorre no Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), em Canoas (RS). A linha é estruturada em etapas que incluem mapeamento da jornada do paciente, formação de time, protocolos, educação continuada, indicadores e mentoria — e a triagem é o ponto de entrada desse percurso.

Continuidade do cuidado começa no reconhecimento do paciente

O tema escolhido pelo HCPA para esta edição ajuda a situar o trabalho: não há continuidade do cuidado paliativo para o paciente que nunca foi identificado como elegível. Ao reunir, no mesmo evento, a discussão sobre transição entre serviços e uma proposta de triagem estruturada para o ambiente hospitalar, o simpósio aproxima as duas pontas da linha de cuidado — o reconhecimento e o seguimento.

Para saber mais sobre a implementação de linhas de cuidado com suporte especializado, acesse imceler.com.br.

FAQ

O que é o Simpósio de Cuidados Paliativos do HCPA?

É um evento científico promovido pelo Programa de Cuidados Paliativos e pelo Serviço de Tratamento da Dor e Medicina Paliativa do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. A 8ª edição ocorreu em 5 e 6 de novembro de 2026, com o tema “Cuidados Paliativos e Continuidade do Cuidado”.

Como identificar pacientes com indicação de cuidados paliativos no hospital geral?

Por meio de instrumentos padronizados de triagem, como o SPICT-BR, aplicados de forma sistemática pela equipe assistencial. Escalas de funcionalidade e prognóstico, como a PPS e o PPI, complementam a avaliação.

O que a Política Nacional de Cuidados Paliativos muda para os hospitais?

A PNCP, instituída pela Portaria GM/MS nº 3.681/2024, reconhece os cuidados paliativos como parte do SUS desde o diagnóstico de doença grave e cria regras de habilitação e financiamento para equipes e serviços.

A triagem digital substitui a avaliação do médico ou do enfermeiro?

Não. A ferramenta tem por objetivo organizar a aplicação das escalas e apoiar a decisão da equipe. A indicação e o plano de cuidados continuam sendo definidos pelos profissionais responsáveis.

Como o IMCELER atua em cuidados paliativos?

Por meio de uma linha de cuidado implantada em hospitais parceiros, coordenada pelo médico Rodrigo Kappel Castilho, que combina mapeamento de processos, protocolos, educação continuada, indicadores e mentoria às equipes.


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