Comitê da AMIB debate cuidados paliativos e decisão no fim da vida em webinar

9 de outubro de 2026
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O Comitê de Cuidados Paliativos da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) promoveu em 8 de outubro de 2026 o webinar “Cuidados paliativos e tomada de decisão no fim da vida”, transmitido pelo AMIB no Ar, canal de conteúdo online da entidade. A atividade discutiu como integrar os princípios dos cuidados paliativos às decisões tomadas na terapia intensiva quando a doença avança e o fim da vida se aproxima. Entre os palestrantes esteve o médico intensivista e paliativista Rodrigo Kappel Castilho, integrante do comitê.

AMIB leva cuidados paliativos ao centro da terapia intensiva

A AMIB é a sociedade científica que representa os médicos intensivistas no país e responde pela formação e pela titulação na especialidade. A existência de um comitê dedicado aos cuidados paliativos dentro da entidade mostra uma mudança de perspectiva: na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), cuidar de quem está gravemente doente inclui decidir quando o suporte avançado ainda beneficia o paciente e quando passa a prolongar o sofrimento.

A terapia intensiva é um dos cenários em que essas decisões se concentram. Muitas mortes hospitalares ocorrem na UTI ou depois de passagem por ela, frequentemente após decisões sobre manter, não iniciar ou retirar suportes como ventilação mecânica, diálise e drogas vasoativas. A forma como essas decisões são tomadas, comunicadas e registradas pesa sobre o paciente, a família e a própria equipe.

Conceito de cuidados paliativos como ponto de partida

Castilho partiu do conceito de cuidado paliativo apresentado com referência à Organização Mundial da Saúde (OMS): cuidado ativo e holístico para pessoas de todas as idades com sofrimento relacionado à saúde em razão de doenças graves, especialmente para as que estão próximas do fim da vida, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida do paciente, de seus familiares e de seus cuidadores.

A definição desloca o foco da doença para a pessoa e inclui a família como objeto do cuidado. Na terapia intensiva, isso significa que a abordagem paliativa não começa quando “não há mais nada a fazer”. Ela pode e deve acompanhar o tratamento intensivo, orientando a definição de objetivos de cuidado e a proporcionalidade terapêutica, ou seja, a adequação das intervenções ao benefício esperado e aos valores do paciente.

Tomada de decisão compartilhada no fim da vida

A tomada de decisão no fim da vida envolve avaliação prognóstica, comunicação clara com o paciente ou seu representante e alinhamento da equipe multiprofissional. O modelo de decisão compartilhada procura combinar a informação técnica trazida pelos profissionais com os valores, as preferências e as prioridades do paciente.

No Brasil, essas decisões têm amparo ético e normativo. A Resolução CFM nº 1.805/2006 permite ao médico limitar ou suspender procedimentos e tratamentos que prolonguem a vida de pacientes em fase terminal de doença grave e incurável, respeitada a vontade do paciente ou de seu representante legal e garantidos os cuidados para alívio dos sintomas. A Resolução CFM nº 1.995/2012 trata das diretivas antecipadas de vontade, e a Resolução CFM nº 2.156/2016, que define critérios de admissão e alta em UTI, contempla pacientes em cuidados paliativos nos critérios de priorização.

Para gestores hospitalares, o tema tem implicação direta: decisões de fim de vida bem conduzidas e documentadas reduzem a variabilidade de condutas, dão segurança jurídica à equipe e contribuem para que os leitos de terapia intensiva sejam usados de forma proporcional ao benefício para cada paciente.

Trajetória do palestrante

Castilho é médico intensivista e paliativista, com título de especialista nas duas áreas, e mestrado em Ciências Médicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Integra o Comitê de Cuidados Paliativos da AMIB e presidiu a Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP) na gestão 2023–2024. Coordena a linha de Cuidados Paliativos do IMCELER, instituto de telemedicina de alta complexidade, gestão de linhas de cuidado e educação continuada, que apoia hospitais na implantação de critérios de elegibilidade, fluxos e capacitação multiprofissional em cuidados paliativos.

Terapia intensiva e cuidados paliativos como linha integrada

A aproximação entre a medicina intensiva e os cuidados paliativos, expressa na atuação de um comitê específico dentro da AMIB, aponta para uma terapia intensiva que avalia não só a sobrevida, mas também a qualidade da trajetória do paciente e de sua família. Com a Política Nacional de Cuidados Paliativos em implantação desde 2024, a tendência é que hospitais organizem essa integração por meio de protocolos, indicadores e equipes capacitadas.

Conheça o modelo de atuação do IMCELER e descubra como ele pode se integrar à realidade do seu hospital.

FAQ

O que é o Comitê de Cuidados Paliativos da AMIB?

É uma instância da Associação de Medicina Intensiva Brasileira dedicada à integração dos cuidados paliativos à terapia intensiva, com produção de conteúdo e atividades de educação, como webinars.

O médico pode limitar ou suspender tratamentos no fim da vida?

Sim. A Resolução CFM nº 1.805/2006 permite limitar ou suspender procedimentos que prolonguem a vida de pacientes em fase terminal de doença grave e incurável, respeitada a vontade do paciente ou de seu representante e garantido o controle de sintomas.

Cuidados paliativos e terapia intensiva são incompatíveis?

Não. A abordagem paliativa pode acompanhar o tratamento intensivo, ajudando a definir objetivos de cuidado, a adequar intervenções ao benefício esperado e a apoiar a família.

O que é tomada de decisão compartilhada no fim da vida?

É o processo em que a equipe apresenta informações técnicas e prognósticas e as combina com os valores e preferências do paciente ou de seu representante para definir o plano de cuidado.


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