Congresso de Medicina da UCPel debate cuidados paliativos e comunicação de más notícias

9 de outubro de 2026
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A Universidade Católica de Pelotas (UCPel) realizou entre 6 e 8 de outubro de 2026 o 25º Congresso de Medicina, no Auditório Dom Antônio Zattera, no Campus I da instituição, em Pelotas (RS). Com o tema “A Medicina além da conduta: a essência do cuidar”, a edição incluiu na programação uma palestra sobre cuidados paliativos e comunicação de notícias difíceis, ministrada pelo médico paliativista e intensivista Rodrigo Kappel Castilho, para um auditório lotado.

Congresso de Medicina da UCPel chega à 25ª edição

Promovido anualmente pelo Curso de Medicina da UCPel, o congresso é organizado por estudantes, com apoio da comunidade acadêmica, e reúne alunos, professores e médicos. Segundo a universidade, a edição de 2026 foi estruturada em palestras, mesas-redondas e atividades de atualização científica e de reflexão sobre o cuidado na prática médica.

O tema escolhido pelos organizadores desloca o foco da conduta técnica para a relação de cuidado com o paciente. É nesse ponto que a medicina paliativa se insere: a área parte do princípio de que, mesmo quando a cura não é possível, há sempre algo a ser feito pelo paciente e por sua família.

Princípios dos cuidados paliativos na formação médica

Na palestra, Castilho apresentou o conceito e os princípios dos cuidados paliativos, abordagem voltada a pessoas com doenças que ameaçam a continuidade da vida e a seus familiares, com foco no alívio do sofrimento físico, psicológico, social e espiritual. A fala percorreu a ideia que sintetiza a área para quem está em formação: há momentos em que cuidar se torna mais importante do que curar.

Para estudantes de Medicina, a distinção tem consequência prática. Os cuidados paliativos não se restringem aos últimos dias de vida nem substituem o tratamento da doença. Podem ser indicados de forma precoce, em paralelo às terapias modificadoras da doença, e exigem competências próprias de avaliação, controle de sintomas e trabalho em equipe multiprofissional.

Comunicação de notícias difíceis como competência clínica

A segunda parte da apresentação tratou da comunicação de notícias difíceis, como o diagnóstico de uma doença grave, a progressão de um quadro ou a mudança de objetivos do tratamento. Castilho abordou a comunicação como competência clínica, que pode ser aprendida e treinada, e não como talento individual.

O tema tem peso direto na experiência do paciente e da família e na tomada de decisão compartilhada. Uma conversa mal conduzida tende a gerar sofrimento evitável, desconfiança e decisões desalinhadas com os valores do paciente. A presença do tema num congresso organizado por estudantes indica que a nova geração de médicos busca essa formação antes mesmo de chegar à residência.

Diretrizes curriculares incluem cuidados paliativos desde 2022

A inclusão do tema dialoga com uma mudança normativa recente. A Resolução CNE/CES nº 3, de 3 de novembro de 2022, alterou as Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em Medicina e passou a prever conhecimentos, competências e habilidades em cuidados paliativos na formação do médico.

Entre os pontos incluídos estão a comunicação com o paciente, o manejo da dor e de outros sintomas, a identificação da indicação precoce de cuidados paliativos, os cuidados de fim de vida e o conhecimento da filosofia e dos pilares dos cuidados paliativos. Congressos acadêmicos complementam esse movimento ao aproximar os estudantes de profissionais que atuam na área.

Trajetória do palestrante

Congresso de Medicina da UCPel debate cuidados paliativos e comunicação de más notícias
Congresso de Medicina da UCPel debate cuidados paliativos e comunicação de más notícias

Castilho é egresso do Curso de Medicina da UCPel. Tem residência em Clínica Médica e em Medicina Intensiva, título de especialista em Medicina Intensiva e em Medicina Paliativa e mestrado em Ciências Médicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Presidiu a Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP) na gestão 2023–2024.

Na mesma semana do congresso, ele apresentou o Atlas dos Cuidados Paliativos no Brasil, da ANCP, no I Fórum de Medicina Paliativa do Conselho Federal de Medicina (CFM). Castilho coordena a linha de Cuidados Paliativos do IMCELER, instituto de telemedicina de alta complexidade, gestão de linhas de cuidado e educação continuada, que tem a capacitação multiprofissional como um de seus pilares.

Formação em cuidados paliativos começa na graduação

A demanda por cuidados paliativos cresce com o envelhecimento da população e com o aumento das doenças crônicas, e a Política Nacional de Cuidados Paliativos, instituída em 2024, amplia a necessidade de profissionais preparados nos serviços de saúde. Levar o tema à graduação, como fez o Congresso de Medicina da UCPel, contribui para que os futuros médicos cheguem à prática com uma compreensão mais ampla do que significa cuidar.

Para saber mais sobre a implementação de linhas de cuidado com suporte especializado, acesse imceler.com.br.

FAQ

O que é o Congresso de Medicina da UCPel?

Evento anual do Curso de Medicina da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), organizado por estudantes. A 25ª edição ocorreu de 6 a 8 de outubro de 2026, em Pelotas (RS), com o tema “A Medicina além da conduta: a essência do cuidar”.

Cuidados paliativos fazem parte da graduação em Medicina?

Sim. Desde a Resolução CNE/CES nº 3/2022, as Diretrizes Curriculares Nacionais de Medicina preveem conhecimentos, competências e habilidades em cuidados paliativos, incluindo comunicação com o paciente, controle de sintomas e cuidados de fim de vida.

Por que a comunicação de más notícias é ensinada como competência?

Porque a forma de comunicar um diagnóstico grave ou uma mudança no tratamento interfere na compreensão do paciente, na confiança na equipe e na decisão compartilhada. A habilidade pode ser aprendida e treinada.

Cuidados paliativos são só para o fim da vida?

Não. Podem ser indicados de forma precoce, em paralelo ao tratamento da doença, para pessoas com doenças que ameaçam a continuidade da vida e para suas famílias.


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