Cuidados paliativos em oncologia e UTI pautam 1º Simpósio da Unimed Santa Maria

A Unimed Santa Maria realizou, nos dias 25 e 26 de setembro de 2026, o 1º Simpósio de Cuidados Paliativos da cooperativa, no Park Hotel Morotin, em Santa Maria (RS). Organizado em conjunto com a Rede de Cuidados Continuados (RCC) da Unimed Santa Maria, o encontro reuniu médicos, enfermeiros e demais profissionais de saúde em torno de três eixos: os serviços e atores dos cuidados paliativos, a interface com a oncologia e a relação com a terapia intensiva e a transição de cuidados.
Entre os convidados esteve o médico Rodrigo Kappel Castilho, intensivista e paliativista, coordenador da linha de Cuidados Paliativos do IMCELER e ex-presidente da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), que conduziu a palestra “Paciente oncológico em cuidados paliativos: quando o suporte de terapia intensiva é indicado e quando esperar?”.
Simpósio da Unimed Santa Maria leva os cuidados paliativos para o centro da assistência
A programação foi construída a partir da premissa de que cuidados paliativos não são um serviço isolado, mas uma abordagem que atravessa todo o sistema de saúde — do consultório à UTI, da internação ao domicílio. O desenho dos três blocos temáticos acompanha o percurso real do paciente com doença grave e expõe os pontos em que decisões mal coordenadas tendem a gerar sofrimento evitável e uso pouco proporcional de recursos.
O tema dialoga diretamente com a agenda dos gestores. A Política Nacional de Cuidados Paliativos, instituída pela Portaria GM/MS nº 3.681/2024, prevê a oferta de cuidados paliativos em todos os níveis de atenção, incluindo a hospitalar e a de urgência e emergência. Para hospitais e operadoras, isso desloca a discussão do campo da sensibilização para o da organização: quem identifica o paciente elegível, em que momento, e como a decisão é registrada e comunicada.
O simpósio é conduzido localmente pela Dra. Tatiana Letícia Eidt, chefe do Serviço de Cuidados Paliativos da Unimed Santa Maria e da Rede de Cuidados Continuados, especialista em Medicina Paliativa pela Associação Médica Brasileira (AMB) e professora da pós-graduação em Oncologia, Hematologia e Cuidados Paliativos da FISMA. Na abertura do programa científico, ela abordou o letramento em saúde e o estatuto dos direitos do paciente.
Serviços, sistema de saúde e o universo do paciente paliativo
O primeiro bloco reuniu nomes de projeção nacional. O médico geriatra e paliativista Douglas Crispim, doutor em Cuidados Paliativos pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP), ex-presidente da ANCP (gestão 2021–2022) e integrante da diretoria da Worldwide Hospice and Palliative Care Alliance, discutiu por que e como os cuidados paliativos se relacionam com todo o sistema de saúde.
Na sequência, o psicanalista e analista institucional Walmir Cedotti, diretor de Desenvolvimento Humano do Grupo Asas, com atuação junto a equipes do HCFMUSP e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), tratou do universo do paciente em cuidados paliativos e do universo do profissional que o assiste. A manhã foi encerrada com mesa-redonda com a participação dos médicos Thiego Cavalheiro e Cláudio Azevedo.

Oncologia e cuidados paliativos: o momento certo de cada decisão
O bloco da tarde de 25 de setembro concentrou-se na interface entre oncologia e cuidados paliativos. A oncologista Mariana Leão Goettems, chefe da Equipe de Cuidados Paliativos da Unimed Serra Gaúcha e especialista em Medicina Paliativa pela AMB, discutiu critérios e objetivos de cuidado na manutenção da terapia oncológica. O enfermeiro Fernando Moraes, especialista em Oncologia e Cuidados Paliativos e mestrando em Enfermagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), apresentou o papel da enfermagem na assistência a esse paciente.
A palestra de Rodrigo Kappel Castilho tratou de uma das decisões mais sensíveis da prática hospitalar: quando o suporte de terapia intensiva é indicado para o paciente oncológico em cuidados paliativos e quando a melhor conduta é aguardar. Mestre em Ciências Médicas pela UFRGS, com residência em Clínica Médica e Medicina Intensiva e área de atuação em Medicina Paliativa, Castilho integra comitês da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e da ANCP. O tema exige articular prognóstico, valores do paciente e proporcionalidade terapêutica — três dimensões que raramente cabem em um protocolo único. A tarde foi encerrada com mesa-redonda com os médicos Rafael Coelho e João Paulo Franco.
Terapia intensiva e transição de cuidados fecharam a programação
No segundo dia, o médico João Luiz Hopf, chefe do Serviço de Cuidados Paliativos da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, supervisor do Programa de Residência em Medicina Paliativa da instituição e presidente da Academia Estadual de Cuidados Paliativos do RS (gestão 2026–2027), abordou o reconhecimento do paciente crítico candidato a cuidados paliativos.
A médica Raquel Prado Thomaz, paliativista do Serviço de Tratamento da Dor e Medicina Paliativa do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e do Serviço de Cuidados Paliativos da Santa Casa de Porto Alegre, tratou da transição de cuidados da UTI para as unidades de internação. Em seguida, a médica Laura Magalhães, paliativista da Rede de Cuidados Continuados da Unimed Porto Alegre e das UTIs do Hospital Divina Providência, discutiu desospitalização e óbito em domicílio. A mesa-redonda de encerramento contou com as médicas Luciele Schifelbain e Luciana Borges Segala.
Do debate à linha de cuidado estruturada
O IMCELER, instituto de telemedicina de alta complexidade, gestão de linhas de cuidado e educação continuada, mantém uma linha de Cuidados Paliativos coordenada por Rodrigo Kappel Castilho, voltada à implantação do modelo em hospitais — com critérios de elegibilidade, fluxo assistencial, capacitação das equipes e acompanhamento por indicadores.
A participação no simpósio da Unimed Santa Maria se soma a outras atividades recentes do coordenador no ensino de cuidados paliativos no Rio Grande do Sul. O movimento observado no evento — sistemas cooperativos estruturando redes próprias de cuidados continuados e paliativos — indica que o tema deixou de ser periférico e passou a integrar a agenda de qualidade assistencial e de sustentabilidade dos serviços de saúde.
Para saber mais sobre a implementação de linhas de cuidado com suporte especializado, acesse imceler.com.br.
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FAQ
O que foi o 1º Simpósio de Cuidados Paliativos da Unimed Santa Maria?
Evento científico realizado em 25 e 26 de setembro de 2026, no Park Hotel Morotin, em Santa Maria (RS), organizado pela Unimed Santa Maria e sua Rede de Cuidados Continuados. A programação tratou de serviços de cuidados paliativos, oncologia, terapia intensiva e transição de cuidados.
Quando o paciente oncológico em cuidados paliativos deve ir para a UTI?
Não há resposta única. A decisão envolve prognóstico, objetivos de cuidado, valores do paciente e proporcionalidade terapêutica, e deve ser compartilhada com o paciente ou seu representante. O tema foi abordado no simpósio por Rodrigo Kappel Castilho, intensivista e paliativista.
O que a Política Nacional de Cuidados Paliativos exige dos hospitais?
A Portaria GM/MS nº 3.681/2024 prevê a oferta de cuidados paliativos em todos os níveis de atenção, incluindo o hospitalar e o de urgência e emergência. Na prática, isso exige critério de identificação do paciente elegível, fluxo definido e equipe capacitada.
Como um hospital implanta uma linha de cuidados paliativos?
A implantação envolve diagnóstico do cenário atual, formação de equipe de referência, protocolo e fluxo, capacitação multiprofissional, indicadores de acompanhamento e mentoria. O IMCELER apoia hospitais nesse percurso por meio de sua linha de Cuidados Paliativos.

