Conahp 2026: IMCELER aprova três trabalhos em telemedicina, linha de cuidado e educação

O IMCELER teve três trabalhos aprovados no Conahp 2026, Congresso Nacional de Hospitais Privados, que reúne lideranças da gestão hospitalar brasileira no Transamerica Expo Center, em São Paulo, nos dias 14 e 15 de outubro de 2026. Foram três resumos submetidos e três aceitos, todos escritos pelo time de Operações do instituto.
Os três trabalhos correspondem aos três pilares de atuação do instituto
A distribuição temática não é coincidência, e é o dado mais relevante da aprovação. Um dos trabalhos trata de assistência especializada — a operação de suporte neurológico ao AVC 24/7 em rede multiestadual. Outro trata de gestão de linha de cuidado — a estruturação de uma linha de cuidado paliativo hospitalar transversal. O terceiro trata de educação continuada — o modelo de capacitação multiprofissional oferecido aos hospitais parceiros.
São exatamente os três pilares sobre os quais o IMCELER organiza sua atuação. Submeter um trabalho por pilar, e ver os três aceitos pela mesma comissão avaliadora, é a forma mais concreta de sustentar que se trata de um modelo integrado, e não de três serviços vendidos separadamente sob a mesma marca.
Uma sessão curada pela FGV-EAESP e organizada em cinco eixos temáticos
Os trabalhos integram a sessão de pôsteres do congresso, dedicada ao compartilhamento de boas práticas hospitalares. Desde 2021, a curadoria científica dessa sessão é conduzida pela Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP), e os resumos precisam se enquadrar em um dos cinco eixos temáticos da edição de 2026: Compromissos Setoriais, Tecnologia e Inteligência em Saúde, Financiamento e Sustentabilidade, Pessoas, Trabalho e Liderança, e Legitimidade Social e Impacto.
Para o diretor de hospital, o filtro vale mais do que o carimbo. Uma prática avaliada por comissão externa é julgada não apenas pelo resultado que produziu, mas pela clareza com que pode ser reproduzida em outro hospital, com outra equipe e outro porte. É essa reprodutibilidade — e não o ineditismo — que interessa a quem precisa decidir onde alocar recursos escassos.
TeleAVC®: o que o trabalho mede em uma rede hospitalar multiestadual
O trabalho da linha de neurologia chama-se “TeleAVC® 24/7 com suporte síncrono à decisão trombolítica: implantação e resultados em rede hospitalar multiestadual”. Ele descreve o modelo de operação do serviço e analisa os desfechos de 3.635 pacientes atendidos, dos quais 723 receberam terapia trombolítica.
Nesse grupo, a mediana do NIHSS recuou de 9 para 1 após a trombólise. O NIHSS (National Institutes of Health Stroke Scale) é a escala que quantifica o déficit neurológico do paciente com AVC: quanto maior a pontuação, maior o comprometimento motor, de fala e de consciência. Uma mediana que sai de 9 e chega a 1 descreve, em termos práticos, a diferença entre um paciente com déficit relevante e um paciente com achado neurológico mínimo. O trabalho também incorpora análise de mortalidade a partir da base SIH/SUS.
O termo central do título é “suporte síncrono”. Não se trata de laudo remoto nem de segunda opinião assíncrona: o emergencista que está à beira do leito conversa em tempo real com o neurologista do IMCELER, por canal 0800 dedicado, enquanto a tomografia é avaliada a distância e a janela terapêutica corre. A decisão de trombolisar — que é a decisão de maior impacto e de maior risco na fase aguda do AVC — deixa de depender da presença física de um especialista que a maioria dos hospitais brasileiros de médio porte não consegue manter em escala 24 horas.
Da lei à prática: o tracing como método de estruturação da linha de cuidado paliativo
O trabalho da linha de cuidados paliativos chama-se “Da lei à prática: tracing de paciente para estruturação de linha de cuidado paliativo hospitalar transversal”. Ele parte de uma lacuna conhecida do setor: a Portaria GM/MS nº 3.681/2024 instituiu a Política Nacional de Cuidados Paliativos no âmbito do SUS, mas a existência da norma não produz, por si, a linha de cuidado dentro do hospital.
O método descrito é o tracing de paciente — percorrer a jornada real de internação, leito a leito, prontuário a prontuário, para identificar em que pontos a abordagem paliativa deveria ter sido acionada e não foi. O tracing não começa pelo protocolo; começa pelo diagnóstico da prática que já existe. A partir dele, o IMCELER estrutura a implantação em seis etapas encadeadas: tracing, formação do time, protocolo e fluxo, educação, indicadores e mentoria.
A palavra “transversal” no título carrega a tese do trabalho. A linha de cuidado paliativo não é tratada como um setor ou uma equipe isolada, e sim como uma abordagem que atravessa emergência, unidade de terapia intensiva e internação clínica, acionada por critérios objetivos de triagem em qualquer ponto da jornada.
Educação continuada em rede: um modelo quadrimestral de capacitação multiprofissional
O terceiro trabalho chama-se “Educação continuada de baixo custo em rede: modelo quadrimestral de capacitação multiprofissional para hospitais parceiros de um serviço de telemedicina de alta complexidade”. Ele descreve como o IMCELER organiza a capacitação das equipes dos hospitais da rede em ciclos quadrimestrais, em vez de treinamentos pontuais atrelados a cada contrato.
O argumento central é de custo e de escala. Capacitação hospitalar costuma ser cara justamente porque é feita uma vez, para uma equipe, em um hospital. Ao tratar os hospitais parceiros como uma rede — com calendário comum, formato online e conteúdo padronizado entre instituições —, o custo por profissional capacitado cai, e a periodicidade fixa transforma o treinamento em rotina institucional em vez de evento.
Para o gestor, isso responde a uma dor específica e persistente: a rotatividade das equipes assistenciais. Um protocolo de AVC ou de cuidados paliativos implantado com capacitação única perde aderência à medida que a equipe original se dispersa. Um ciclo quadrimestral é o que sustenta o protocolo depois que o entusiasmo da implantação passa.
Os três trabalhos foram escritos pelo time de Operações, com o CEO entre os autores
Os resumos foram escritos por Nicole Pertile, Líder de Operações, Sâmia Faria, Coordenadora de Novos Projetos, e Gabrielli Barreto, Auxiliar de Operações, com o neurologista Diógenes Zãn (CRM [CONFIRMAR]), CEO do IMCELER, entre os autores.
O dado institucional relevante está aí. A produção científica do IMCELER não vem de uma área de pesquisa separada da assistência: vem de quem opera a rede todos os dias, monta escala, acompanha indicador de porta-agulha, organiza o calendário de aulas e conduz reunião de alinhamento com hospital parceiro — e da direção clínica que responde pelo modelo. É o que permite que os trabalhos descrevam o processo real, com suas restrições, e não uma versão idealizada dele.
O que a aprovação sinaliza para o gestor hospitalar
Os três trabalhos compartilham a mesma lógica de gestão baseada em valor: a intervenção só se sustenta quando é medida. No AVC, isso significa tempo porta-agulha, taxa de trombólise e desfecho neurológico. Nos cuidados paliativos, significa cobertura de triagem, documentação de comunicação e decisão compartilhada e proporcionalidade terapêutica. Na educação continuada, significa custo por profissional capacitado e aderência ao protocolo ao longo do tempo.
Segundo o entendimento defendido pelos autores, levar esse material a um congresso de gestão hospitalar cumpre uma função específica: submeter o modelo à crítica do setor, em vez de divulgá-lo apenas como resultado próprio.
Próximos passos
Os três pôsteres serão apresentados em outubro de 2026, em São Paulo. No mesmo período, o instituto segue com o mapeamento de certificação de centros de AVC junto à World Stroke Organization (WSO) e com a expansão da linha de cuidado paliativo para novos hospitais parceiros.
Para hospitais que ainda tratam telemedicina como contingência de plantão, o recado das três aprovações é o mesmo: o que diferencia uma linha de cuidado de um serviço avulso é a capacidade de descrever, medir e repetir.

