IMCELER Academy Multi reúne 55 profissionais em aula sobre paliativos e neurologia

O IMCELER realizou, em 19 de agosto de 2026, o terceiro encontro do IMCELER Academy Multi, seu programa de educação continuada multiprofissional, reunindo mais de 55 participantes em formato online. A aula “Cuidados Paliativos e Neurologia: quando as especialidades se encontram na prática” foi conduzida pela enfermeira Sâmia Faria da1
Silva, coordenadora de Novos Projetos do IMCELER e especialista em cuidados paliativos, com moderação de Gabrielli Barreto Gonçalves, do time de operações do instituto e organizadora do programa.
Encontro reuniu sete categorias profissionais na mesma sala virtual
A composição do público traduz a proposta que dá nome ao programa. Participaram do encontro acadêmicos, fonoaudiólogos, farmacêuticos clínicos, enfermeiros, fisioterapeutas, médicos e demais integrantes de equipes multiprofissionais que atuam em hospitais parceiros e em outras instituições de saúde. Ao longo de aproximadamente uma hora de aula e discussão, a sala virtual reuniu perfis que, na rotina hospitalar, raramente compartilham o mesmo espaço de formação.
Essa convivência não é acessória ao tema. Tanto os cuidados paliativos quanto a assistência neurológica de alta complexidade dependem de decisões que atravessam categorias profissionais: a via de alimentação de um paciente com disfagia, o ajuste de um esquema analgésico, a mobilização de quem ficou acamado após um AVC e a condução de uma conversa difícil com a família não pertencem a uma única especialidade.
Cuidados paliativos em neurologia começam antes do fim da vida
Um dos pontos centrais da aula foi a desconstrução da associação automática entre cuidados paliativos e terminalidade. Conforme apresentado por Sâmia Faria da Silva, os cuidados paliativos em neurologia podem ser indicados desde o diagnóstico de doenças progressivas, em paralelo ao tratamento modificador de doença, e não apenas quando as possibilidades terapêuticas se esgotam.
Aplicado à neurologia, o conceito muda o momento da conversa. Em doenças neurodegenerativas como as demências, a esclerose lateral amiotrófica e a doença de Parkinson, a trajetória é longa e previsível o suficiente para permitir planejamento antecipado de cuidados — o que inclui discutir preferências do paciente enquanto ele ainda preserva capacidade de decidir, um ponto especialmente sensível em condições que comprometem cognição e comunicação.
AVC grave impõe decisões de proporcionalidade terapêutica desde as primeiras horas
O acidente vascular cerebral ocupou parte relevante da discussão, por ser a condição em que as duas áreas se encontram de forma mais aguda. Após um AVC extenso, a equipe assistencial precisa conduzir, muitas vezes nas primeiras horas, decisões sobre proporcionalidade terapêutica em um cenário de prognóstico ainda incerto e com uma família recém-informada de um evento súbito.
A aula abordou como esse tipo de decisão se beneficia de critérios definidos, de registro adequado em prontuário e de uma equipe alinhada quanto ao objetivo do cuidado — elementos que reduzem a variabilidade das condutas e contribuem para que a escolha reflita valores do paciente, e não apenas a disponibilidade de recursos. Também foi discutido o cuidado continuado ao paciente que sobrevive com sequelas importantes, situação em que a necessidade paliativa persiste muito além da internação.
Comunicação de prognóstico e conferência familiar são competências treináveis
Outro eixo tratado foi a comunicação. A apresentação abordou a condução da conferência familiar como um procedimento estruturado — com preparação prévia, definição de quem participa, alinhamento da equipe antes da conversa e registro dos encaminhamentos — e discutiu o papel das diretivas antecipadas de vontade no contexto neurológico, em que a perda de capacidade decisória é parte esperada da evolução de várias doenças.
O enquadramento é relevante para gestores porque desloca a comunicação do terreno do talento individual para o da competência treinável. Equipes que recebem capacitação estruturada em comunicação de más notícias tendem a conduzir esses encontros com mais consistência, o que está associado a menos conflitos entre equipe e família e a decisões mais bem documentadas.
Disfagia e manejo de sintomas colocam a equipe multiprofissional no centro do cuidado
A parte final da aula tratou do manejo de sintomas em pacientes neurológicos: dor, sintomas refratários e, com destaque, a disfagia — quadro frequente após AVC e em doenças neurodegenerativas, que envolve simultaneamente fonoaudiologia, enfermagem, nutrição, farmácia clínica e equipe médica na definição da via de alimentação e na prevenção de complicações como broncoaspiração.
Foi justamente nesse ponto que a composição do público mostrou seu valor: a presença de fonoaudiólogos, farmacêuticos clínicos e fisioterapeutas na mesma discussão permitiu que o tema fosse examinado a partir das diferentes responsabilidades envolvidas, em vez de tratado como decisão isolada de uma categoria.
Repercussão imediata entre os participantes
Ao final da transmissão, o canal de mensagens do encontro registrou uma sequência de manifestações espontâneas do público. “Muito obrigada por dividir teu conhecimento”, escreveu a participante Roberta Souza de Mattos. “Ótima aula e escolha de tema”, registrou Carolina Machado. “Parabéns, aula maravilhosa”, comentou Frederico Neto.
Também deixaram agradecimentos públicos ao final do encontro os participantes Giovana Eisenhut — “Muito obrigada pela apresentação, foi ótima” — e Gian Carlo Vacilotto. A escolha do tema apareceu de forma recorrente nas mensagens, indicando demanda por espaços estruturados de discussão sobre a interface entre cuidados paliativos e neurologia.
Educação continuada sustenta a padronização das linhas de cuidado
O IMCELER Academy Multi integra o pilar de educação continuada do instituto, que atua de forma articulada com a assistência especializada e com a gestão baseada em valor. O programa realiza encontros online periódicos, abertos a profissionais de diferentes áreas da saúde, com temas conduzidos por especialistas do próprio corpo técnico e por convidados.
A lógica do programa é direta: linhas de cuidado só se sustentam quando a equipe que as executa compartilha o mesmo repertório técnico. Protocolos de trombólise, fluxos de emergência neurológica e critérios de indicação de cuidados paliativos produzem resultados consistentes quando são compreendidos por toda a equipe — e não apenas pelo profissional que assina a conduta. Capacitação permanente é, nesse desenho, parte da infraestrutura assistencial, e não uma atividade complementar.
Próximos encontros ampliam as verticais em discussão
Com três edições realizadas, o Academy Multi consolidou um público recorrente e multiprofissional. As próximas edições devem seguir alternando temas das verticais em que o IMCELER atua — neurologia, cardiologia, psiquiatria, radiologia e cuidados paliativos —, sempre com o recorte multiprofissional que caracteriza o programa.
Perspectiva
A terceira edição do Academy Multi indica um movimento que vai além do número de inscritos. Ao reunir, em uma mesma discussão, acadêmicos e profissionais de sete áreas, o encontro tratou cuidados paliativos e neurologia como campos que se articulam na rotina — o que exige repertório comum e critérios compartilhados. Para hospitais que estruturam linhas de cuidado em AVC e em doenças neurológicas crônicas, essa integração deixou de ser tema de discussão conceitual para se tornar questão de organização assistencial.
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