Linha de cuidado do AVC e cuidados paliativos: o modelo do Hospital Nossa Senhora das Graças em Canoas com apoio do IMCELER

O Hospital Nossa Senhora das Graças realizou, na noite de quinta-feira, 23 de julho de 2026, seu Jantar Beneficente no Salão ASMC, em Canoas (RS). Sob o mote “Conectando Pessoas, Transformando Vidas”, o encontro reuniu poder público municipal, direção da instituição e organizações parceiras — entre elas o IMCELER, instituto de telemedicina de alta complexidade e gestão de linhas de cuidado, que mantém com o hospital uma parceria assistencial iniciada há mais de um ano na linha de cuidado do AVC e ampliada em 2026 para os cuidados paliativos.
O evento contou com a presença do prefeito de Canoas, Airton Souza, de secretários municipais e de integrantes da direção do hospital. Pelo IMCELER, participaram o diretor técnico e CEO, Dr. Diógenes Zãn; Nicole Pertile, líder de operações; Samia Faria, líder de novos serviços; e Marcia Oliver, da área administrativa.
Um hospital filantrópico que decidiu estruturar linhas de cuidado
Fundado em 1962 e mantido pela Associação Beneficente de Canoas (ABC), constituída em 1948, o Hospital Nossa Senhora das Graças atende pelo Sistema Único de Saúde e por convênios em um município que ultrapassa 359 mil habitantes segundo estimativa do IBGE para 2025. Desde outubro de 2020, a instituição está sob administração do município de Canoas.
O perfil é o de boa parte dos hospitais que sustentam o SUS em cidades brasileiras de médio e grande porte: referência regional, margem estreita, receita majoritariamente vinculada à tabela SUS e dificuldade estrutural de acesso a especialistas em regime de plantão. É nesse contexto que a decisão do Graças por estruturar linhas de cuidado formais merece atenção de outros gestores.
A linha de cuidado do AVC e o que ela mudou na porta de entrada
O AVC é a condição em que a organização do processo assistencial produz mais impacto por unidade de investimento. O tratamento de reperfusão na fase aguda é tempo-dependente: cada etapa entre a chegada do paciente e a decisão terapêutica determina o desfecho funcional. Sem protocolo estruturado e sem neurologista disponível na urgência, hospitais deixam de tratar pacientes elegíveis — não por falta de medicação, mas por ausência de decisão especializada no momento certo.
Há mais de um ano, o Hospital Nossa Senhora das Graças opera sua linha de cuidado do AVC com suporte do TeleAVC®, serviço de telemedicina em neurologia do IMCELER, que oferece avaliação neurológica remota 24 horas por dia, sete dias por semana, com análise de neuroimagem a distância e protocolo de trombólise padronizado.

Desde a implantação, a instituição registra evolução consistente em três indicadores centrais da linha de cuidado: aumento da taxa de tratamento de pacientes elegíveis, redução do tempo médio de permanência hospitalar e redução da mortalidade associada ao AVC. Os resultados são acompanhados por monitoramento contínuo de indicadores, na lógica de gestão baseada em valor que orienta o modelo — desfecho clínico e eficiência operacional medidos na mesma equação, não como objetivos concorrentes.
Vale registrar o que esses três indicadores significam para a gestão hospitalar. Taxa de tratamento é acesso: mais pacientes recebendo terapia de reperfusão dentro da janela. Tempo de permanência é eficiência: menos dias-leito por paciente, com liberação de capacidade para a fila. Mortalidade é desfecho: o indicador que justifica tudo o mais. Linhas de cuidado bem estruturadas tendem a mover os três simultaneamente, porque atuam sobre a variabilidade do processo — e é a variabilidade, não a falta de recurso, que costuma explicar a maior parte da perda assistencial.
Cuidados paliativos: a segunda linha de cuidado, iniciada em 2026
Em 2026, a parceria foi ampliada com a implantação do Programa de Cuidados Paliativos do hospital, liderado pelo Dr. Rodrigo Castilho, médico intensivista e paliativista, ex-presidente da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP).
A escolha da segunda linha não é aleatória. Cuidados paliativos hospitalares endereçam uma das maiores fontes de sofrimento evitável e de consumo inadequado de recurso no hospital brasileiro: a ausência de definição de proporcionalidade terapêutica em pacientes com doença avançada. Sem programa estruturado, decisões sobre limite terapêutico chegam tarde, ocorrem em ambiente de crise e recaem sobre equipes sem formação específica — com custo humano para a família e custo operacional para a instituição, que ocupa leito crítico com intervenção que não altera o curso da doença.
Um programa formal muda a lógica. Introduz avaliação precoce, comunicação estruturada com paciente e família, registro de diretivas e conferência familiar como parte do processo, não como exceção. Contribui para alinhar o cuidado ao que o paciente efetivamente deseja e libera capacidade de terapia intensiva para quem dela se beneficia. É uma frente que exige liderança clínica reconhecida — o que explica o peso da coordenação por um ex-presidente da ANCP.
Educação continuada como condição, não como complemento
Nenhuma das duas linhas se sustenta sem qualificação permanente da equipe local. O modelo do IMCELER integra educação continuada aos pilares assistencial e de gestão, com capacitação multiprofissional das equipes dos hospitais parceiros — enfermagem, medicina de emergência, fisioterapia, serviço social.
No AVC, isso significa equipe de emergência treinada para reconhecimento precoce e acionamento imediato do protocolo. Nos cuidados paliativos, significa profissionais preparados para conversas difíceis e para identificar quando o paciente deve ser avaliado pelo programa. Em ambos os casos, a tecnologia e o protocolo são condição necessária e insuficiente: quem opera a linha de cuidado é a equipe do hospital.
Poder público, comunidade e sustentabilidade institucional
A presença do prefeito e de secretários municipais no jantar beneficente sinaliza o lugar que a saúde ocupa na agenda de Canoas — em julho de 2026, a Prefeitura anunciou a liberação de mais de R$ 53 milhões em recursos federais destinados ao fortalecimento da rede municipal e à ampliação da capacidade de atendimento.
Eventos de captação atuam em camada complementar: mobilizam a comunidade empresarial e a sociedade civil em torno de uma instituição que é patrimônio local. Para hospitais filantrópicos, esse enraizamento é ativo estratégico, não gesto simbólico.
O que outros gestores podem extrair do caso
O Hospital Nossa Senhora das Graças oferece um caminho reconhecível para instituições de perfil semelhante. Em vez de tentar resolver a escassez de especialistas pela contratação direta — inviável para a maior parte dos hospitais de médio porte —, estruturou linhas de cuidado com suporte especializado remoto, protocolo padronizado, indicadores monitorados e capacitação da equipe própria.
O resultado é uma instituição que trata mais pacientes elegíveis de AVC, ocupa leito por menos tempo e, agora, oferece cuidado proporcional a pacientes com doença avançada. Nenhuma dessas conquistas dependeu de expansão física. Dependeram de organização do processo assistencial — que é, no fim, o que distingue hospitais que apenas atendem daqueles que produzem desfecho.
Hospitais interessados em conhecer o modelo IMCELER de implantação de linhas de cuidado com suporte especializado podem acessar imceler.com.br/contato.

