Prevenção do AVC e telemedicina em neurologia pautam programa da Rádio Guaíba

18 de setembro de 2026
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A prevenção e o reconhecimento precoce do acidente vascular cerebral foram o tema de uma edição do Programa Viver Bem Guaíba, da Rádio Guaíba, gravada em setembro em Porto Alegre e programada para ir ao ar em outubro, às vésperas do Dia Nacional de Prevenção ao AVC. O convidado foi o neurologista e neurorradiologista intervencionista Diógenes Guimarães Zãn, diretor técnico do IMCELER.

O programa é apresentado pela jornalista Paula Oliveira de Sá, que reúne 25 anos de atuação em comunicação e marketing em instituições de saúde, entre elas a PUCRS, a Ulbra e o Hospital Moinhos de Vento. A atração estreou em junho de 2025, vai ao ar aos sábados ao meio-dia e tem patrocínio da Unimed Porto Alegre.

Dia Nacional de Prevenção ao AVC tem data definida em lei federal desde 2024

A Lei 14.885, de 11 de junho de 2024, instituiu o dia 29 de outubro como Dia Nacional de Prevenção ao Acidente Vascular Cerebral, mesma data do Dia Mundial do AVC, definida pela World Stroke Organization em 2006.

O peso epidemiológico justifica a data. Segundo a Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares, com base nos registros de óbito da Central de Informações do Registro Civil, o AVC causou 85.959 mortes no Brasil em 2024 e 89.490 em 2025, superando o infarto agudo do miocárdio nos dois anos. Cerca de 70% das pessoas acometidas não retomam a atividade profissional e metade perde autonomia para tarefas cotidianas.

Reconhecer os sinais é o primeiro gargalo da linha de cuidado do AVC

Na entrevista, Zãn concentrou boa parte da conversa no reconhecimento dos sintomas — boca torta, perda súbita de força em braço ou perna e dificuldade para falar, aos quais se somam perda súbita de equilíbrio, alteração súbita da visão e dor de cabeça de intensidade fora do padrão habitual. Diante da suspeita, a conduta correta é acionar imediatamente o serviço de ambulância, sem medicar a pessoa e sem aguardar acompanhante.

Segundo apresentou, sua dissertação de mestrado, desenvolvida no Hospital de Clínicas de Porto Alegre com vínculo à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), identificou que 41% dos pacientes entrevistados não procuraram ajuda médica na primeira hora após o início dos sintomas, atribuindo as manifestações a causas banais. Zãn é doutorando na mesma instituição, com trabalho voltado à organização da linha de cuidado do AVC.

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Tomografia e neurologista 24 horas definem se o hospital pode tratar

Como os tratamentos do AVC isquêmico e do hemorrágico são opostos, e como nenhum exame clínico distingue os dois quadros, o encaminhamento pré-hospitalar precisa levar o paciente a um serviço com tomografia e avaliação neurológica 24 horas por dia.

A urgência tem quantificação publicada. O estudo Time Is Brain — Quantified, de Jeffrey L. Saver, do Stroke Center da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), publicado na revista Stroke em 2006, estimou que o paciente com AVC isquêmico não tratado perde cerca de 1,9 milhão de neurônios por minuto. A trombólise endovenosa tem evidência desde 1995 e janela de até 4 horas e 30 minutos; a trombectomia mecânica, com evidência consolidada a partir de 2015, aplica-se a um subgrupo com oclusão de grande vaso e exige serviço de hemodinâmica.

Estudo publicado em Arquivos de Neuro-Psiquiatria em 2023 analisou a evolução demográfica dos neurologistas brasileiros entre 2010 e 2020 e concluiu que o problema central não é escassez absoluta, mas desigualdade de distribuição entre regiões, correlacionada com desigualdade social.

Até 90% do risco de AVC está associado a fatores modificáveis

O estudo INTERSTROKE, conduzido por Martin O’Donnell e Salim Yusuf, da Universidade McMaster, publicado no The Lancet em 2016, estimou que dez fatores de risco potencialmente modificáveis respondem por mais de 90% do risco atribuível populacional de AVC — entre eles hipertensão arterial, tabagismo, sedentarismo, qualidade da dieta e consumo de álcool.

Vale a precisão metodológica: risco atribuível populacional indica a fração da carga da doença associada a esses fatores em nível populacional, não uma garantia individual de prevenção.

Acionamento telefônico direto sustenta a teleinterconsulta médico-médico

O TeleAVC, serviço de telemedicina em neurologia do IMCELER, opera por acionamento direto por telefone, sem aplicativo e sem plataforma intermediária, em numeração exclusiva designada pela Anatel para a linha de cuidado. O médico plantonista do hospital contratante disca o número, fala em minutos com o neurologista de plantão e discute o caso — com a diferença, em relação a uma chamada de emergência pública, de que o canal é restrito à comunicação médico-médico dos hospitais contratantes, não ao público.

A Lei 14.510, de 27 de dezembro de 2022, e a Resolução CFM 2.314/2022 obrigam o registro do atendimento por telemedicina em prontuário. No modelo descrito, o especialista evolui no prontuário eletrônico do próprio hospital, com login e senha nominais, o que mantém o dado clínico em um único repositório institucional, permite auditoria pela direção técnica e viabiliza o faturamento do atendimento especializado.

Hospital Sapiranga estruturou linha de cuidado do AVC com suporte de teleneurologia

O caso citado ao longo do programa foi o do Hospital Sapiranga, mantido pela Sociedade Beneficente Sapiranguense, entidade sem fins lucrativos sediada em Sapiranga (RS), no Vale do Rio dos Sinos. A instituição dispõe de emergência 24 horas, tomografia computadorizada e ressonância magnética no mesmo pavimento do pronto atendimento.

O hospital mantém, desde novembro de 2025, parceria com o IMCELER para o TeleAVC e para a gestão da linha de cuidado do AVC, com reuniões mensais de alinhamento entre as coordenações do hospital e do instituto, nas quais são apresentados os indicadores de qualidade coletados no atendimento.

A entrevista encerrou com um quadro de mitos e verdades, no qual o neurologista reforçou que sintomas transitórios que regridem em minutos — o ataque isquêmico transitório — exigem procura imediata por atendimento, e que a ausência de sequelas após um primeiro evento não elimina o risco de recorrência. A edição completa ficará disponível no YouTube e no Spotify da Rádio Guaíba.

Para saber mais sobre a implementação de linhas de cuidado com suporte especializado, acesse imceler.com.br.


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Construindo futuros em saúde.




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Soluções integradas para aprimorar a assistência hospitalar com excelência, segurança e qualidade, em hospitais de todo o Brasil.


Diretor técnico:
Dr. Diógenes Guimarães Zãn
CRM-RS 41.685
RQE RS 34.942 – neurologista
RQE-RS NRI 39.490 – neurorradiologista


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Última atualização: 18/09/2026 –
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