Jornada do paciente com AVC é percorrida em visita técnica ao Hospital de Trauma da Paraíba

João Pessoa (PB), 10 de setembro de 2026 — O Hospital Estadual de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena recebeu, na manhã da última quarta-feira, uma visita técnica dedicada à jornada do paciente com Acidente Vascular Cerebral (AVC). A atividade foi conduzida pelo neurologista e neurointervencionista Dr. Diógenes Zãn, CEO do IMCELER, a convite da Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba (SES-PB), e antecedeu o Encontro de Gestores que reuniu, à tarde, diretores de 16 hospitais da rede estadual.
A unidade foi aberta para a visita pelo diretor-geral Aluízio Lopes. Trata-se do maior hospital de trauma do estado e uma das principais portas de entrada de urgência da Paraíba — condição que o coloca no centro do novo desenho da linha de cuidado do AVC que a SES-PB começa a executar.

O percurso foi feito do mesmo modo que o paciente o percorre
A visita seguiu a lógica da metodologia traçadora — em inglês, tracer method —, abordagem consagrada em avaliações de acreditação hospitalar e amplamente utilizada pela Joint Commission International, representada no Brasil pelo Consórcio Brasileiro de Acreditação. Em vez de examinar documentos e protocolos em sala, o avaliador percorre fisicamente o caminho real do paciente dentro da instituição.
No caso do AVC, esse percurso começa antes da porta: passa pela chegada do SAMU, pela recepção e classificação de risco, pelo primeiro contato médico, pelo deslocamento até o tomógrafo, pela aquisição e leitura da imagem, pela decisão terapêutica, pelo preparo e infusão do trombolítico e pela definição do destino do paciente — unidade de AVC, terapia intensiva ou transferência.
O que o método revela e o indicador isolado não mostra
A força da metodologia do tracing está em observar as interfaces. Indicadores agregados informam o resultado — o tempo porta-agulha médio, a taxa de trombólise —, mas não explicam onde o tempo se perdeu. Percorrer a jornada expõe as transições: quantos metros e quantos elevadores separam a emergência do tomógrafo, quem carrega o trombolítico e onde ele está guardado, quantas pessoas precisam ser acionadas entre a suspeita e a decisão, e se o registro do caso alimenta ou não o sistema de indicadores da instituição.
São variáveis que raramente aparecem em relatório e que, em uma condição tempo-dependente, definem o desfecho. A meta do Ministério da Saúde é de até 25 minutos para o tempo porta-tomografia e até 60 minutos para o tempo porta-agulha — janelas em que um único ponto de atrito na interface entre setores consome a margem inteira.

Reunião com a direção resultou em plano de ação
Ao final do percurso, a discussão dos pontos de melhoria reuniu o diretor-geral do hospital, Aluízio Lopes, a gerente operacional da Rede de Atenção às Urgências e Emergências da SES-PB, Priscilla Farias, e a coordenadora estadual da Linha de Cuidado do AVC, Ana Luísa Castelo, com a equipe técnica do IMCELER.
O encontro produziu um plano de ação com prioridades definidas. Duas delas concentram o esforço inicial. A primeira é a estruturação de uma escala com cobertura neurológica de 24 horas, de modo a garantir que exista responsável técnico disponível para a decisão de reperfusão em qualquer horário — inclusive noites e fins de semana, faixas em que a maior parte das perdas de janela terapêutica ocorre em hospitais de urgência. A segunda é a alocação dos pacientes com AVC em leitos exclusivos para essa linha de cuidado, em vez da distribuição dispersa pela enfermaria geral.
Ambas as medidas conversam diretamente com os requisitos de habilitação federal. As Portarias GM/MS nº 665, de 12 de abril de 2012, e nº 800, de 17 de junho de 2015, condicionam o reconhecimento de um estabelecimento como Centro de Atendimento de Urgência aos Pacientes com AVC à existência de cobertura neurológica ininterrupta — presencial ou por telemedicina — e, nos tipos II e III, à organização de leitos de Unidade de Cuidado Agudo ou de Cuidado Integral ao paciente com AVC. A mesma norma institui incentivo de custeio de R$ 350,00 por leito/dia para as unidades habilitadas.
O que a reunião evidenciou é que as duas medidas se sustentam mutuamente: leitos exclusivos sem cobertura neurológica contínua não elevam a taxa de tratamento, e cobertura contínua sem destino definido para o paciente tratado não sustenta o desfecho. É a combinação, e não cada peça isolada, que caracteriza uma unidade de AVC.
Da observação ao desenho da linha de cuidado
A aplicação da metodologia do tracing à linha de cuidado do AVC integra a frente de Gestão da Linha de Cuidado do IMCELER, que combina diagnóstico presencial de fluxo, padronização de protocolo institucional, definição de indicadores e cobertura assistencial contínua. Essa cobertura é operada pelo TeleAVC®, serviço de telemedicina em neurologia do IMCELER, com suporte 24 horas por dia e canal dedicado ao médico da emergência — recurso que permite a hospitais sem neurologista presencial conduzir trombólise com respaldo especializado.
O ponto que o método deixa evidente é de natureza gerencial. Reduzir tempo porta-agulha raramente depende de novo equipamento ou de mais leitos; depende de decidir, com clareza, quem faz o quê, em que ordem e sob qual registro. É um trabalho de desenho de processo, não de aquisição.
O Dr. Diógenes Zãn realizou a visita técnica a convite da Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba.
Para saber mais sobre a implementação de linhas de cuidado com suporte especializado, acesse imceler.com.br.

