Hospital Nossa Senhora das Graças recebe primeira mentoria em cuidados paliativos do IMCELER

2 de julho de 2026
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O IMCELER realizou a primeira mentoria em cuidados paliativos no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Canoas (RS), dando início à capacitação da equipe multiprofissional da instituição. Mais do que uma reunião inaugural, o encontro estabelece a mentoria como método de formação estruturada — a via escolhida pelo instituto para implantar, de forma consistente e reprodutível, uma linha de cuidado em cuidados paliativos hospitalares.

A mentoria como método de implantação da linha de cuidado

A decisão de iniciar o projeto pela mentoria não é acidental. No modelo IMCELER, nenhuma linha de cuidado se sustenta sem equipes preparadas para operá-la no dia a dia, e é justamente essa preparação que a mentoria organiza. Diferente de um treinamento pontual, a mentoria acompanha a equipe ao longo do processo de estruturação, transferindo método, alinhando linguagem clínica e conectando teoria e prática assistencial.

Esse formato responde a uma característica central dos cuidados paliativos: são um campo que exige mudança de cultura, e não apenas incorporação de protocolo. Reconhecer indicações no momento certo, conduzir conversas difíceis com pacientes e famílias, articular decisões entre diferentes especialidades e sustentar a proporcionalidade terapêutica são competências que se constroem com formação continuada e acompanhamento próximo — precisamente o que a mentoria oferece.

Quem conduziu o encontro

A mentoria foi conduzida sob a coordenação do Dr. Rodrigo Kappel Castilho, da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), coordenador do projeto, com a liderança operacional da enfermeira Samia Faria, enfermeira especialista em Cuidados Paliativos do IMCELER. A presença de um especialista vinculado à principal referência nacional na área reforça o compromisso do IMCELER em estruturar a linha de cuidado a partir das melhores práticas reconhecidas no país.

O encontro reuniu coordenadores das áreas assistenciais, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros e demais profissionais envolvidos no cuidado direto ao paciente. A presença de tantas categorias em uma mesma sala reflete a própria natureza do cuidado paliativo: uma assistência promovida por equipe multidisciplinar, voltada à melhoria da qualidade de vida do paciente e de seus familiares diante de uma doença que ameace a vida, por meio da prevenção e do alívio do sofrimento em suas dimensões física, psicológica, social e espiritual. Formar essa equipe de modo integrado — e não em silos — é o que a mentoria se propõe a fazer desde o primeiro encontro.

Educação continuada como pilar do modelo

A mentoria em cuidados paliativos materializa um dos três pilares que estruturam a atuação do IMCELER: a educação continuada. Ao lado da assistência especializada e da gestão baseada em valor, a capacitação permanente das equipes é o que permite que uma linha de cuidado deixe de depender de indivíduos e passe a ser uma competência instalada na instituição.

Hospital Nossa Senhora das Graças recebe primeira mentoria em cuidados paliativos do IMCELER
Hospital Nossa Senhora das Graças recebe primeira mentoria em cuidados paliativos do IMCELER

Esse investimento formativo dialoga com uma lacuna reconhecida no setor. A escassez histórica de profissionais com formação específica em cuidados paliativos é um dos gargalos apontados para a expansão dessa assistência no país, e a própria política nacional da área elege a educação permanente dos trabalhadores da saúde como um de seus eixos. Ao estruturar a mentoria como espinha dorsal do projeto, o IMCELER ataca esse gargalo na origem: capacita para que o hospital parceiro possa sustentar o cuidado por conta própria.

O contexto regulatório que torna a capacitação urgente

A formação em cuidados paliativos ganhou peso regulatório recente. Em 2024, a Portaria GM/MS nº 3.681, de 7 de maio de 2024, instituiu a Política Nacional de Cuidados Paliativos no âmbito do Sistema Único de Saúde, consolidando diretrizes que remontam à Resolução CIT nº 41, de 2018, que organizou os cuidados paliativos no SUS à luz dos cuidados continuados integrados. A política determina que esses serviços sejam ofertados em todos os pontos da rede de atenção, a todas as pessoas com indicação, o mais precocemente possível.

Na prática, o que antes era um diferencial passou a ser uma obrigação estruturante para os hospitais — e, historicamente, a oferta de cuidados paliativos esteve concentrada nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, deixando parte do país desassistida. Capacitar equipes com método torna-se, nesse cenário, um requisito de qualidade assistencial e de conformidade, e não apenas uma iniciativa de aperfeiçoamento.

Da mentoria à gestão por indicadores

A mentoria é o ponto de partida, mas não o ponto final. Sua função é preparar o terreno para a etapa seguinte: a definição de fluxos, protocolos, rotinas assistenciais e indicadores de desfecho que caracterizam a gestão baseada em valor. É essa camada de mensuração que permite acompanhar a qualidade do cuidado, reduzir a variabilidade e demonstrar resultados de forma objetiva ao longo do tempo.

O desenho conversa, ainda, com a experiência do IMCELER em suporte remoto a equipes hospitalares. A própria regulação prevê que especialistas em cuidados paliativos atuem como referência e matriciadores dos demais serviços da rede, presencialmente ou por tecnologias de comunicação à distância — uma lógica de matriciamento próxima àquela que sustenta as frentes de telemedicina de alta complexidade do instituto, como o TeleAVC®.

Próximos passos e pioneirismo

A primeira mentoria abre um ciclo de capacitação que deverá se estender ao longo da estruturação do projeto no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Canoas. A continuidade prevê novos encontros formativos, a construção conjunta de protocolos e o acompanhamento da implantação da linha de cuidado com a equipe multiprofissional do hospital parceiro.

Ao trazer os cuidados paliativos para o centro de seu trabalho de educação continuada, o IMCELER amplia um portfólio que já reúne suporte especializado em neurologia, cardiologia, psiquiatria e radiologia, e posiciona-se em uma vertente ainda pouco estruturada na maior parte dos hospitais brasileiros. A aposta na mentoria como método reafirma uma convicção que orienta a instituição: cuidar bem, especialmente nas etapas mais delicadas da vida, depende tanto de técnica quanto de equipes preparadas para acolher, aliviar e decidir com humanidade.

Conheça o modelo de atuação do IMCELER e descubra como ele pode se integrar à realidade do seu hospital.


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