Hospital Nossa Senhora das Graças recebe primeira mentoria em cuidados paliativos do IMCELER

O IMCELER realizou a primeira mentoria em cuidados paliativos no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Canoas (RS), dando início à capacitação da equipe multiprofissional da instituição. Mais do que uma reunião inaugural, o encontro estabelece a mentoria como método de formação estruturada — a via escolhida pelo instituto para implantar, de forma consistente e reprodutível, uma linha de cuidado em cuidados paliativos hospitalares.
A mentoria como método de implantação da linha de cuidado
A decisão de iniciar o projeto pela mentoria não é acidental. No modelo IMCELER, nenhuma linha de cuidado se sustenta sem equipes preparadas para operá-la no dia a dia, e é justamente essa preparação que a mentoria organiza. Diferente de um treinamento pontual, a mentoria acompanha a equipe ao longo do processo de estruturação, transferindo método, alinhando linguagem clínica e conectando teoria e prática assistencial.
Esse formato responde a uma característica central dos cuidados paliativos: são um campo que exige mudança de cultura, e não apenas incorporação de protocolo. Reconhecer indicações no momento certo, conduzir conversas difíceis com pacientes e famílias, articular decisões entre diferentes especialidades e sustentar a proporcionalidade terapêutica são competências que se constroem com formação continuada e acompanhamento próximo — precisamente o que a mentoria oferece.
Quem conduziu o encontro
A mentoria foi conduzida sob a coordenação do Dr. Rodrigo Kappel Castilho, da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), coordenador do projeto, com a liderança operacional da enfermeira Samia Faria, enfermeira especialista em Cuidados Paliativos do IMCELER. A presença de um especialista vinculado à principal referência nacional na área reforça o compromisso do IMCELER em estruturar a linha de cuidado a partir das melhores práticas reconhecidas no país.
O encontro reuniu coordenadores das áreas assistenciais, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros e demais profissionais envolvidos no cuidado direto ao paciente. A presença de tantas categorias em uma mesma sala reflete a própria natureza do cuidado paliativo: uma assistência promovida por equipe multidisciplinar, voltada à melhoria da qualidade de vida do paciente e de seus familiares diante de uma doença que ameace a vida, por meio da prevenção e do alívio do sofrimento em suas dimensões física, psicológica, social e espiritual. Formar essa equipe de modo integrado — e não em silos — é o que a mentoria se propõe a fazer desde o primeiro encontro.
Educação continuada como pilar do modelo
A mentoria em cuidados paliativos materializa um dos três pilares que estruturam a atuação do IMCELER: a educação continuada. Ao lado da assistência especializada e da gestão baseada em valor, a capacitação permanente das equipes é o que permite que uma linha de cuidado deixe de depender de indivíduos e passe a ser uma competência instalada na instituição.

Esse investimento formativo dialoga com uma lacuna reconhecida no setor. A escassez histórica de profissionais com formação específica em cuidados paliativos é um dos gargalos apontados para a expansão dessa assistência no país, e a própria política nacional da área elege a educação permanente dos trabalhadores da saúde como um de seus eixos. Ao estruturar a mentoria como espinha dorsal do projeto, o IMCELER ataca esse gargalo na origem: capacita para que o hospital parceiro possa sustentar o cuidado por conta própria.
O contexto regulatório que torna a capacitação urgente
A formação em cuidados paliativos ganhou peso regulatório recente. Em 2024, a Portaria GM/MS nº 3.681, de 7 de maio de 2024, instituiu a Política Nacional de Cuidados Paliativos no âmbito do Sistema Único de Saúde, consolidando diretrizes que remontam à Resolução CIT nº 41, de 2018, que organizou os cuidados paliativos no SUS à luz dos cuidados continuados integrados. A política determina que esses serviços sejam ofertados em todos os pontos da rede de atenção, a todas as pessoas com indicação, o mais precocemente possível.
Na prática, o que antes era um diferencial passou a ser uma obrigação estruturante para os hospitais — e, historicamente, a oferta de cuidados paliativos esteve concentrada nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, deixando parte do país desassistida. Capacitar equipes com método torna-se, nesse cenário, um requisito de qualidade assistencial e de conformidade, e não apenas uma iniciativa de aperfeiçoamento.
Da mentoria à gestão por indicadores
A mentoria é o ponto de partida, mas não o ponto final. Sua função é preparar o terreno para a etapa seguinte: a definição de fluxos, protocolos, rotinas assistenciais e indicadores de desfecho que caracterizam a gestão baseada em valor. É essa camada de mensuração que permite acompanhar a qualidade do cuidado, reduzir a variabilidade e demonstrar resultados de forma objetiva ao longo do tempo.
O desenho conversa, ainda, com a experiência do IMCELER em suporte remoto a equipes hospitalares. A própria regulação prevê que especialistas em cuidados paliativos atuem como referência e matriciadores dos demais serviços da rede, presencialmente ou por tecnologias de comunicação à distância — uma lógica de matriciamento próxima àquela que sustenta as frentes de telemedicina de alta complexidade do instituto, como o TeleAVC®.
Próximos passos e pioneirismo
A primeira mentoria abre um ciclo de capacitação que deverá se estender ao longo da estruturação do projeto no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Canoas. A continuidade prevê novos encontros formativos, a construção conjunta de protocolos e o acompanhamento da implantação da linha de cuidado com a equipe multiprofissional do hospital parceiro.
Ao trazer os cuidados paliativos para o centro de seu trabalho de educação continuada, o IMCELER amplia um portfólio que já reúne suporte especializado em neurologia, cardiologia, psiquiatria e radiologia, e posiciona-se em uma vertente ainda pouco estruturada na maior parte dos hospitais brasileiros. A aposta na mentoria como método reafirma uma convicção que orienta a instituição: cuidar bem, especialmente nas etapas mais delicadas da vida, depende tanto de técnica quanto de equipes preparadas para acolher, aliviar e decidir com humanidade.
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