Hospital Nossa Senhora das Graças realiza 1º Alinhamento de Gestão de Cuidados Paliativos

O Hospital Nossa Senhora das Graças, em Canoas (RS), realizou em 4 de agosto de 2026 o primeiro Alinhamento de Gestão (AG) do projeto de Cuidados Paliativos desenvolvido com apoio técnico do IMCELER. O encontro reuniu equipe assistencial, coordenadores de unidades e integrantes da direção do hospital para apresentar os gargalos identificados no fluxo do paciente e os próximos passos da implementação.
Encontro reúne equipe assistencial e direção do hospital
Participaram do primeiro AG profissionais da linha de frente assistencial, coordenadores das unidades envolvidas no projeto e representantes da direção do hospital, entre eles Luciana Andretta, Diretora Assistencial, e Aristides Chicarolli Neto, Diretor Técnico do hospital. A presença conjunta de equipe assistencial, coordenação e diretoria é um dos pontos que a instituição destaca como condição para que um projeto de linha de cuidado avance de forma consistente: sem alinhamento entre esses três níveis, mudanças de fluxo tendem a não se sustentar na rotina hospitalar.
Tracing nos fluxos de emergência, internação e UTI revela os principais gargalos
A etapa que antecedeu o encontro foi um tracing do fluxo do paciente, técnica de mapeamento que acompanha o percurso real de atendimento, unidade a unidade, para identificar pontos de espera, retrabalho e ruptura de comunicação entre equipes. No caso do Hospital Nossa Senhora das Graças, o mapeamento abrangeu as emergências SUS e convênio, as internações e as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).
O IMCELER utiliza tracing de fluxo do paciente em emergências SUS e convênio, internações e UTI para identificar gargalos assistenciais antes de estruturar linhas de cuidado. O primeiro AG teve como foco principal apresentar esses achados de forma objetiva à equipe e à direção, sem uso de dados de pacientes identificáveis, como base concreta para o desenho da linha de cuidado de cuidados paliativos que será implementada na sequência.
Segundo relato da equipe do Hospital Nossa Senhora das Graças, o primeiro Alinhamento de Gestão deixou claro onde estão os principais pontos de melhoria no cuidado ao paciente elegível para cuidados paliativos, e esse diagnóstico deve orientar as próximas etapas do projeto.
Cuidados paliativos como projeto estruturado: indicadores e educação continuada
O modelo de atuação do IMCELER combina assistência especializada, gestão baseada em valor (VBHC) e educação continuada para implementar linhas de cuidado reprodutíveis em hospitais parceiros. No projeto de Cuidados Paliativos do Hospital Nossa Senhora das Graças, essa lógica se traduz em protocolos de identificação de pacientes elegíveis, critérios de proporcionalidade terapêutica e indicadores de desfecho e de processo que permitem à gestão hospitalar acompanhar a evolução da linha de cuidado ao longo do tempo.
A capacitação multiprofissional das equipes de emergência, internação e UTI é parte central dessa estruturação. Cuidados paliativos exigem repertório clínico específico para manejo de sintomas, comunicação com pacientes e famílias e tomada de decisão compartilhada — competências que, no modelo do IMCELER, são trabalhadas por meio de educação continuada aplicada à rotina das unidades, e não apenas em capacitações pontuais.
Próximos passos: da mudança de cultura à linha de cuidado estruturada
Durante o AG, foram apresentados os próximos passos da implementação, que combinam ajustes de fluxo assistencial com um processo de mudança de cultura organizacional. O objetivo declarado é que a assistência a pacientes elegíveis para cuidados paliativos se torne mais humanizada e melhor estruturada, com critérios claros de identificação, comunicação e cuidado, desde a entrada do paciente na emergência até a internação e a UTI, quando aplicável.
Essa mudança de cultura envolve tanto as equipes assistenciais quanto a gestão do hospital: cuidados paliativos deixam de ser uma decisão pontual e passam a integrar um fluxo institucional formal, com papéis definidos, protocolos e acompanhamento por indicadores.
Cuidados paliativos ainda ocupam um espaço incipiente na maior parte dos hospitais brasileiros, frequentemente restritos a decisões informais tomadas à beira do leito, sem protocolo, indicador ou capacitação formal das equipes. Estruturar essa linha de cuidado como projeto institucional — com tracing de fluxo, indicadores e educação continuada — é uma escolha que ainda diferencia poucas instituições no país, e que tende a se tornar cada vez mais relevante à medida que hospitais buscam qualificar a experiência do paciente em momentos de maior vulnerabilidade clínica.
Ao dar esse passo, o Hospital Nossa Senhora das Graças se posiciona entre as instituições que tratam cuidados paliativos como parte da estratégia assistencial, e não como exceção. Com o primeiro AG concluído, o projeto segue para as etapas de desenho detalhado de protocolos e capacitação das equipes envolvidas.
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