Hospital de Portão reúne especialistas em simpósio de segurança do paciente

O Hospital de Portão, em Portão (RS), realizou nos dias 14 e 15 de outubro de 2026 o 1º Simpósio de Segurança do Paciente. A programação reuniu representantes da Organização Nacional de Acreditação (ONA) e do Núcleo de Segurança do Paciente do Hospital Geral de Caxias do Sul, além de gestores hospitalares e especialistas em qualidade, tecnologia, liderança e saúde mental, em dois dias de debate sobre cultura de segurança e prevenção de riscos na assistência.
Hospital de Portão consolida agenda de segurança do paciente após acreditação ONA 2
Mantido pela Fundação Hospitalar Educacional e Social de Portão (FUHESP), entidade privada, sem fins lucrativos e filantrópica, o Hospital de Portão iniciou suas atividades em 12 de novembro de 1978 e atende usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). A direção técnica é exercida pela médica Cláudia Salvadori Zaca.
No fim de 2025, a instituição obteve a acreditação ONA Nível 2 (Acreditado Pleno). Segundo o Jornal Acontece, foi o primeiro hospital filantrópico com atendimento exclusivamente SUS no Rio Grande do Sul a alcançar esse nível. À época, o presidente da instituição, Guilherme Vieira, declarou ao jornal que a equipe pretende buscar o Nível 3 na próxima avaliação.
O simpósio se insere nesse percurso. No Brasil, a Portaria MS/GM nº 529/2013 instituiu o Programa Nacional de Segurança do Paciente, e a RDC Anvisa nº 36/2013 tornou obrigatórios os Núcleos de Segurança do Paciente nos serviços de saúde, com plano para identificar, analisar e monitorar riscos. Eventos de educação permanente ajudam a sustentar essa estrutura no cotidiano das equipes.
Notificação de eventos adversos e gestão de riscos no SUS pautaram o eixo técnico
Gilvane Lolato, gerente de operações da ONA, apresentou um panorama das notificações de eventos adversos no Brasil. Administradora, com especialização em qualidade e segurança do paciente pela Universidade Nova de Lisboa e mestrado pelo Instituto Avedis Donabedian, na Espanha, ela integrou a coordenação da revisão do Manual para Organizações Prestadoras de Serviços de Saúde da ONA, versão 2022. A presença tem peso particular para o anfitrião: é a metodologia da ONA que fundamenta a acreditação Nível 2 do Hospital de Portão.
A equipe do Núcleo de Segurança do Paciente do Hospital Geral de Caxias do Sul abordou a segurança do paciente no cuidado em instituições SUS. Mantido pela Fundação Universidade de Caxias do Sul (FUCS), o hospital é instituição de assistência, ensino e pesquisa com atendimento 100% SUS e referência para os 49 municípios da 5ª Coordenadoria Regional de Saúde do Rio Grande do Sul.
O tema “Segurança do Paciente: desafios e perspectivas” foi conduzido por Cassiana Prates, doutora em enfermagem e especialista em gestão, qualidade e segurança do paciente, e por Salvador Gullo Neto, médico cirurgião, professor da Escola de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e gestor em saúde. Gullo Neto é autor do livro “Segurança do Paciente: a verdadeira revolução da saúde” e liderou a implantação do núcleo de segurança do paciente do Hospital São Lucas da PUCRS.
Tecnologia, liderança e saúde das equipes ampliaram o conceito de segurança
A segurança no uso de equipamentos foi tema de Marcelo Marciano, especialista em engenharia clínica e gestão em saúde, e de Mauren Azevedo, farmacêutica e especialista em gestão hospitalar.
No campo da gestão, Elita Herrmann, executiva e CEO do Hospital Sapiranga, em Sapiranga (RS), falou sobre liderança e posicionamento frente ao cuidado. Alisson Emmel, especialista em gestão, liderança e desenvolvimento humano e instrutor licenciado pela Fundação Napoleon Hill, tratou do poder da mentalidade de crescimento na saúde.
A psicóloga Graziela Raimundo, especialista em saúde mental, apresentou a palestra “Cuidando do Cuidador”, que trouxe para a programação a dimensão de quem presta a assistência — um componente cada vez mais reconhecido da segurança do paciente.
Saúde mental no hospital geral exige identificação precoce de riscos
No segundo dia, a psiquiatra Larissa Frota, coordenadora do serviço de psiquiatria do IMCELER, apresentou “Segurança do Paciente em Saúde Mental: Identificando e Prevenindo Riscos na Assistência”.
O tema reflete uma realidade comum a hospitais gerais de médio porte. Pacientes com demandas psiquiátricas chegam pela emergência e permanecem em enfermarias clínicas, muitas vezes em serviços sem leitos psiquiátricos. Comportamento suicida, agitação psicomotora, risco de evasão, quedas e eventos relacionados a medicamentos estão entre os riscos que a literatura de segurança do paciente associa a esse cuidado, e envolvem toda a equipe — enfermagem, medicina, farmácia, psicologia e serviço social.
Na palestra, Larissa Frota percorreu os principais eixos de risco: a identificação precoce de sinais de alerta, a prevenção do suicídio no ambiente hospitalar, a segurança no uso de medicamentos e o manejo de situações de crise. A abordagem deu ênfase à atuação conjunta das equipes multiprofissionais.
Psiquiatra com formação em terapia cognitivo-comportamental e experiência em preceptoria de residência médica, Larissa Frota é cofundadora do IMCELER e coordena a TelePsiquiatria, serviço de telemedicina em psiquiatria do instituto.
IMCELER esteve entre os patrocinadores do simpósio
O IMCELER foi um dos patrocinadores do evento. Além de Larissa Frota, representaram o instituto Sâmia Faria, coordenadora de novos projetos, e Márcia Oliver, da área financeira.
O vínculo entre as instituições antecede o simpósio. Desde novembro de 2025, o Hospital de Portão conta com o TeleAVC, serviço de telemedicina em neurologia do IMCELER, e com a gestão da linha de cuidado do AVC, em modelo de teleinterconsulta médico-médico disponível 24 horas.
Em saúde mental, o IMCELER opera a TelePsiquiatria nos hospitais contratantes com o mesmo desenho: o médico plantonista aciona o psiquiatra por canal telefônico dedicado de teleinterconsulta médico-médico, sem aplicativo e sem plataforma intermediária, com registro da conduta no prontuário eletrônico do próprio hospital. O modelo segue a Resolução CFM nº 2.314/2022 e tem por objetivo apoiar a decisão clínica das equipes locais em situações como emergência psiquiátrica e avaliação de risco.

Cultura de segurança como eixo de sustentabilidade assistencial
A amplitude da programação — da notificação de eventos à engenharia clínica, da liderança à saúde mental — reflete uma compreensão de segurança do paciente que vai além dos protocolos básicos. Para hospitais filantrópicos que dependem do SUS, eventos adversos evitáveis prolongam internações, consomem recursos escassos e afetam a confiança da comunidade no serviço.
Ao reunir acreditadora, hospital de referência regional, gestores e especialistas em um mesmo encontro, o Hospital de Portão posiciona a segurança do paciente como tema de gestão institucional, e não apenas de conformidade — um caminho relevante para os hospitais gerais de médio porte que buscam qualificar a assistência com recursos limitados.
Conheça o modelo de atuação do IMCELER e descubra como ele pode se integrar à realidade do seu hospital.
FAQ
O que é segurança do paciente em saúde mental?
É o conjunto de práticas voltadas a prevenir danos evitáveis a pacientes com demandas psiquiátricas durante a assistência. Inclui a identificação de risco de suicídio, de agitação e de evasão, a segurança no uso de medicamentos e o manejo de crises, com atuação integrada da equipe multiprofissional.
Hospital geral sem leito psiquiátrico precisa se preparar para riscos em saúde mental?
Sim. Pacientes com demandas psiquiátricas são atendidos na emergência e nas enfermarias clínicas de hospitais gerais. A RDC Anvisa nº 36/2013 exige que o plano de segurança do paciente contemple a identificação e o monitoramento dos riscos do próprio serviço, o que inclui esse perfil de paciente.
Por que notificar eventos adversos?
A notificação permite ao serviço identificar falhas, analisar causas e implantar barreiras para que o evento não se repita. A RDC Anvisa nº 36/2013 atribui ao Núcleo de Segurança do Paciente o monitoramento de incidentes e eventos adversos.
Como funciona a TelePsiquiatria do IMCELER?
É um serviço de teleinterconsulta médico-médico: o médico do hospital contratante aciona um psiquiatra por canal telefônico dedicado, disponível 24 horas, e a conduta é registrada no prontuário do próprio hospital. O atendimento segue a Resolução CFM nº 2.314/2022 e não é direcionado ao público.
Qual é a acreditação do Hospital de Portão?
O Hospital de Portão obteve acreditação ONA Nível 2 (Acreditado Pleno) no fim de 2025, sendo, segundo o Jornal Acontece, o primeiro hospital filantrópico 100% SUS do Rio Grande do Sul a alcançar esse nível.

