FAST Heroes em Taquara forma segunda turma e chega a mil crianças preparadas para o AVC

A rede municipal de ensino de Taquara (RS) formou, na manhã desta terça-feira (20), a segunda turma do FAST Heroes, programa internacional de educação em saúde que ensina crianças a reconhecer os sinais do acidente vascular cerebral (AVC) e a acionar o SAMU pelo 192. A cerimônia, realizada no Centro de Eventos das Faculdades Integradas de Taquara (Faccat), reuniu cerca de 500 alunos de 43 escolas municipais. Somadas as duas edições, o município chega a aproximadamente mil crianças capacitadas.
A formatura encerra o ciclo em que os professores da rede trabalharam, em sala de aula e em encontros semanais, os três sinais de alerta do AVC — alteração no rosto, perda de força em um dos braços e dificuldade na fala — e a regra que fecha a narrativa do programa: diante da suspeita, ligar imediatamente para o 192.
FAST Heroes: programa internacional de educação sobre AVC que ensina pelas crianças
O FAST Heroes — Fast Heróis, na versão brasileira — foi desenvolvido pelo Departamento de Políticas Educativas e Sociais da Universidade da Macedônia, na Grécia, e conta com o apoio da World Stroke Organization (WSO) e da Angels Initiative. Voltado a crianças de 5 a 10 anos, o programa usa histórias, personagens e atividades lúdicas para que os alunos memorizem os sinais do AVC e levem esse conhecimento para casa, especialmente aos avós, faixa etária de maior risco.
Em janeiro de 2026, os responsáveis pelo programa anunciaram a marca de um milhão de crianças alcançadas no mundo. No Brasil, a mensagem central é adaptada ao número do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência: ao identificar os sinais, a criança liga para o 192.
A lógica é de multiplicação. A criança aprende na escola, ensina a família e passa a ser um ponto de reconhecimento precoce dentro de casa — justamente onde boa parte dos AVCs acontece.
Por que o reconhecimento precoce do AVC muda o desfecho
O AVC é uma doença tempo-dependente. Um estudo publicado na revista Stroke em 2006 (Saver JL, “Time is brain — quantified”) estimou que, no AVC isquêmico não tratado, o cérebro perde em média cerca de 1,9 milhão de neurônios por minuto. Trata-se de uma estimativa baseada em modelagem de casos de oclusão de grandes vasos, e não de uma medida individual, mas a mensagem prática é consolidada: quanto antes o paciente chega a um hospital preparado, maiores as chances de acesso ao tratamento dentro da janela terapêutica.
Uma parcela relevante do atraso ocorre antes da chegada ao hospital, no intervalo entre o início dos sintomas e o pedido de socorro. É nesse trecho que atua a educação em saúde da comunidade: quem reconhece o quadro e liga para o 192 encurta o primeiro elo de uma cadeia que segue pelo SAMU, pela regulação e pela emergência hospitalar.
A formatura de Taquara ocorre a nove dias do Dia Mundial do AVC, celebrado em 29 de outubro por iniciativa da World Stroke Organization.
Rede municipal, professores e SAMU de Taquara na formatura
A cerimônia contou com a presença de Taís Oliveira Martins, que representou a titular da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esporte (Smece) de Taquara, pasta responsável pelas escolas da rede municipal. Também participou o professor Levi Metanoya, educador e servidor público que atua na rede municipal de ensino de Taquara.
O corpo clínico do SAMU de Taquara esteve presente na formatura, aproximando as crianças dos profissionais do serviço que elas aprenderam a acionar. A presença da equipe reforça, para alunos e famílias, que o número aprendido em sala corresponde a um atendimento real de urgência.
O protagonismo do ciclo, no entanto, é dos professores da rede municipal, que conduziram as atividades nas 43 escolas participantes, e das próprias crianças, que concluem a formação como multiplicadoras do reconhecimento do AVC em suas famílias.
Formação de professores e articulação técnica do IMCELER
O IMCELER, instituto multiprofissional de telemedicina de alta complexidade, gestão de linhas de cuidado e educação continuada, articulou a adesão de Taquara ao FAST Heroes, formou os professores da rede municipal que aplicaram o programa e prestou suporte técnico às escolas durante a implantação.
A delegação do instituto na formatura foi composta pela neurologista Dra. Taís Denicol, integrante do corpo médico do IMCELER; por Nicole Pertile, Líder de Operações; por Márcia Oliver, da área financeira; e por Gabrielli Barreto, da equipe de Operações.
A atuação em educação comunitária dialoga com a frente assistencial do instituto. O TeleAVC, serviço de telemedicina em neurologia do IMCELER, atua na etapa hospitalar: o médico da emergência aciona o neurologista por canal telefônico dedicado de teleinterconsulta médico-médico, disponível 24 horas, em numeração exclusiva designada pela Anatel. O canal é restrito à comunicação entre médicos dos hospitais contratantes — para a população, o caminho continua sendo o 192, exatamente como as crianças aprenderam.
Educação em saúde como primeiro elo da linha de cuidado do AVC
Para gestores hospitalares e coordenadores de linhas de cuidado, iniciativas como a de Taquara lembram que o desempenho de uma unidade de AVC também depende do que acontece fora do hospital. Indicadores como o tempo porta-agulha medem a eficiência interna, mas o relógio do paciente começa antes, no reconhecimento dos sintomas e no pedido de socorro.
Programas de letramento em saúde voltados à comunidade, articulados entre educação, serviços de urgência e hospitais de referência, ampliam o alcance dessa cadeia. Em Taquara, a segunda formatura dá continuidade ao trabalho iniciado na primeira edição e mantém o tema presente na rede municipal de ensino.
Para saber mais sobre a implementação de linhas de cuidado do AVC com suporte especializado, acesse imceler.com.br.
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FAQ
O que é o programa FAST Heroes?
É um programa internacional de educação em saúde, criado pela Universidade da Macedônia (Grécia) com apoio da World Stroke Organization e da Angels Initiative, que ensina crianças de 5 a 10 anos a reconhecer os sinais do AVC e a pedir socorro. No Brasil, o número ensinado é o 192, do SAMU.
Como um município pode implantar o FAST Heroes nas escolas?
Os professores se cadastram na plataforma oficial do programa, que disponibiliza gratuitamente os materiais pedagógicos. A implantação ganha força quando secretaria de educação, serviços de urgência e profissionais de saúde da região atuam juntos na formação dos docentes e no acompanhamento das escolas.
Por que ensinar crianças a reconhecer o AVC?
Porque o AVC é uma doença tempo-dependente e parte do atraso no atendimento ocorre antes da chegada ao hospital. Crianças aprendem com facilidade, convivem com avós e levam a informação para casa, ampliando o número de pessoas capazes de reconhecer os sintomas e ligar para o 192.
Qual a diferença entre ligar para o 192 e o TeleAVC?
O 192 é o canal da população para pedir socorro ao SAMU. O TeleAVC, serviço de telemedicina em neurologia do IMCELER, é um canal exclusivo de teleinterconsulta entre médicos: o plantonista de um hospital contratante aciona o neurologista para apoiar a decisão clínica. O público não acessa o TeleAVC diretamente.
Quantas crianças já foram capacitadas em Taquara?
Segundo a organização da formatura, a segunda edição formou cerca de 500 alunos de 43 escolas municipais. Somadas as duas edições, Taquara chega a aproximadamente mil crianças capacitadas.

