Cuidados paliativos e neurologia: IMCELER em oficina do Senac Canoas

4 de setembro de 2026
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O Senac Canoas promoveu, na noite de 3 de setembro de 2026, uma oficina sobre cuidados paliativos voltada a técnicos de enfermagem. A programação reuniu quatro apresentações, entre elas “Cuidados paliativos e neurologia: quando as especialidades se encontram na prática”, conduzida pela enfermeira Sâmia Faria, coordenadora de novos projetos do IMCELER e especialista em Cuidados Paliativos. A atividade reuniu cerca de 36 participantes.

O Brasil tem 234 serviços de cuidados paliativos para uma população majoritariamente dependente do SUS

A terceira edição do Atlas dos Cuidados Paliativos no Brasil, publicada pela Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP) em 2023, registrou 234 serviços de cuidados paliativos no país, dos quais 123 atuam exclusivamente no Sistema Único de Saúde. A distribuição é desigual: 98 serviços no Sudeste, 60 no Nordeste, 40 no Sul, 16 no Distrito Federal e 7 no Norte. O mesmo levantamento aponta que 75,3% da população brasileira depende exclusivamente do SUS, o que resulta em uma média aproximada de um serviço especializado para cada 1,6 milhão de usuários do sistema público.

O quadro normativo, no entanto, avançou. A Portaria GM/MS nº 3.681, de 7 de maio de 2024, instituiu a Política Nacional de Cuidados Paliativos no âmbito do SUS, estabelecendo que a abordagem deve ser ofertada em todos os pontos da Rede de Atenção à Saúde — e não apenas em serviços especializados de referência. Para o gestor hospitalar, a consequência prática é direta: a linha de cuidado deixa de ser um diferencial opcional e passa a integrar a expectativa regulatória sobre a instituição.

Essa distância entre a norma e a capacidade instalada tem um componente que raramente aparece nos planos de implantação: a formação da equipe que está à beira do leito nas 24 horas do dia. Protocolos escritos não sobrevivem a equipes não capacitadas.

O Parecer Normativo nº 1/2026 do Cofen delimitou o papel do técnico de enfermagem em cuidados paliativos

Aprovado em 14 de fevereiro de 2026, o Parecer Normativo nº 1/2026 do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) esclareceu o conceito de cuidados paliativos e delimitou a atuação de cada categoria da equipe de enfermagem nessa prática. Ao técnico de enfermagem cabe o monitoramento de sinais e sintomas e a execução dos cuidados prescritos, sob supervisão do enfermeiro, dentro da estrutura do Processo de Enfermagem.

É uma delimitação que, na prática assistencial, tem peso desproporcional ao seu tamanho no texto. O técnico de enfermagem é quem observa a alteração do padrão respiratório na madrugada, quem percebe a piora da dor entre uma visita e outra e quem sustenta o cuidado de conforto, higiene e alimentação nas fases mais delicadas da internação. A qualidade da informação que chega ao enfermeiro e ao médico depende, em larga medida, do repertório técnico dessa observação.

A apresentação do IMCELER usou a neurologia como porta de entrada para desmistificar o conceito

Sob o título “Cuidados paliativos e neurologia: quando as especialidades se encontram na prática”, Sâmia Faria optou por um recorte anterior ao protocolo: explicar o que são, de fato, cuidados paliativos e desconstruir as ideias equivocadas que ainda cercam a abordagem.

Duas confusões costumam operar juntas. A primeira associa cuidados paliativos a interrupção do tratamento, a assistência restrita aos últimos dias de vida ou a ausência de conduta ativa — leituras que a definição adotada nas normas brasileiras não sustenta, já que a abordagem é indicada desde o diagnóstico de doença que ameaça a continuidade da vida e é compatível com o tratamento modificador da doença. A segunda restringe a abordagem à oncologia, quando parcela relevante dos pacientes elegíveis tem doença neurológica: acidentes vasculares cerebrais extensos, doenças neurodegenerativas e tumores do sistema nervoso central estão entre as condições que mais demandam controle de sintomas, decisão compartilhada e definição de proporcionalidade terapêutica.

Cruzar as duas especialidades tem, portanto, função didática direta. O paciente neurológico grave torna visível aquilo que a definição normativa enuncia de forma abstrata — que a abordagem paliativa acompanha o tratamento em vez de substituí-lo, e que ela começa muito antes da fase final.

Quando essa confusão persiste na equipe que está à beira do leito, o efeito é operacional antes de ser filosófico: a linha de cuidado é acionada tarde, o sofrimento evitável é tratado tardiamente e a abordagem chega ao paciente quando já resta pouco a oferecer. Para o gestor que pretende implantar a linha, desmistificar o conceito não é etapa preliminar — é a etapa que determina se o protocolo será utilizado.

A oficina reuniu quatro recortes complementares da prática paliativa

A apresentação conduzida pelo IMCELER integrou uma programação mais ampla. Na mesma noite, a oficina do Senac Canoas contou ainda com “Trajetórias do cuidado”, com o convidado Jeferson Moreira Silveira; “Extubação paliativa”, com a convidada Caissy Batista de Andrade; e “O papel da enfermagem”, com a convidada Fabiane Espíndola Gomes.

O desenho da atividade é, em si, informativo. Ao distribuir o tema entre quatro recortes distintos — trajetória do paciente, decisão em terapia intensiva, atuação específica da enfermagem e interface com a neurologia —, a instituição tratou cuidados paliativos como campo de prática com múltiplas frentes, e não como conteúdo único a ser transmitido em uma exposição isolada.

A educação continuada é um dos três pilares do modelo de atuação do IMCELER

O IMCELER é um instituto multiprofissional brasileiro de telemedicina de alta complexidade, gestão de linhas de cuidado e educação continuada, com atuação em hospitais filantrópicos e privados de diversos estados. Seu modelo articula três pilares integrados: assistência especializada, gestão baseada em valor (VBHC) com indicadores e protocolos, e educação continuada permanente das equipes dos hospitais parceiros.

O recorte escolhido para a apresentação dialoga com a própria formação do instituto. A neurologia é o campo de origem do IMCELER, e a interface entre doença neurológica grave e cuidados paliativos atravessa as duas linhas na prática assistencial: o paciente com AVC extenso ou doença neurodegenerativa avançada frequentemente demanda, ao mesmo tempo, conduta neurológica especializada e abordagem paliativa estruturada.

Na linha de Cuidados Paliativos, o pilar educacional não é acessório. A implantação da linha nos hospitais parceiros segue seis etapas encadeadas — tracing, formação do time, protocolo e fluxo, educação, indicadores e mentoria —, e a etapa educacional é o que converte o desenho técnico em prática compartilhada.

A proximidade geográfica reforça a coerência. Em 27 de agosto de 2026, a linha teve sua primeira implantação hospitalar no Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), na própria Canoas, com aula inaugural de sensibilização para toda a equipe assistencial, ministrada pelo Dr. Rodrigo Castilho, coordenador clínico da linha, com apoio da enfermeira Sâmia Faria. Em setembro de 2026, a capacitação avançou para o formato de grupos focais com as equipes do hospital. A oficina no Senac Canoas alcança, no mesmo município, profissionais em formação que atuam ou atuarão em instituições que ainda não estruturaram a linha.

“Cuidados paliativos não são o momento em que não há mais nada a fazer. São o momento em que se passa a fazer outra coisa — e isso precisa estar claro para quem está com o paciente 24 horas por dia”, afirma Sâmia Faria, enfermeira e coordenadora de novos projetos do IMCELER.

A consolidação dos cuidados paliativos no Brasil dependerá menos da criação de serviços isolados de referência do que da capacidade de incorporar a abordagem à rotina das equipes que já estão nos hospitais. E essa incorporação começa por um acordo conceitual mínimo sobre o que a abordagem é — e sobre o que ela não é. Nesse cenário, a formação da equipe técnica de enfermagem deixa de ser um item de treinamento e passa a ser condição de viabilidade da linha de cuidado, uma leitura que o IMCELER tem levado tanto aos hospitais parceiros quanto a espaços abertos de formação profissional.

Conheça o modelo de atuação do IMCELER e descubra como ele pode se integrar à realidade do seu hospital.


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Diretor técnico:
Dr. Diógenes Guimarães Zãn
CRM-RS 41.685
RQE RS 34.942 – neurologista
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Última atualização: 03/09/2026 –
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