Santa Casa de Bagé implanta TeleAVC com plantão neurológico 24h e gestão do cuidado

A Santa Casa de Caridade de Bagé (SCCB), hospital filantrópico de referência para a região da Campanha, no Rio Grande do Sul, iniciou em 1º de novembro de 2026 a estruturação da linha de cuidado do acidente vascular cerebral (AVC) com plantão neurológico 24 horas por telemedicina, que também atende todas as demais urgências neurológicas do hospital. O modelo é operado pelo TeleAVC, serviço de telemedicina em neurologia do IMCELER, em modelo de teleinterconsulta médico-médico com registro de cada atendimento no prontuário eletrônico do próprio hospital.
Na prática, o médico que recebe um paciente com quadro neurológico agudo na Santa Casa discute o caso, em tempo real, com um neurologista em turno de plantão dedicado. No AVC, a definição da conduta, incluindo a indicação ou não de tratamento de reperfusão, é compartilhada entre a equipe local e o especialista, que acompanha a fase aguda do atendimento. O mesmo plantão dá suporte às demais emergências neurológicas atendidas pelo hospital.
Santa Casa de Caridade de Bagé: 143 anos como referência hospitalar da Campanha gaúcha
Fundada em 25 de março de 1883 pela comunidade bageense, a Santa Casa de Caridade de Bagé é uma entidade filantrópica de direito privado, sem fins lucrativos, declarada de utilidade pública federal pelo Decreto nº 56.496, de 1965. O hospital é referência para os municípios da 7ª Coordenadoria Regional de Saúde do Rio Grande do Sul — Bagé, Aceguá, Candiota, Hulha Negra, Dom Pedrito e Lavras do Sul — e atende pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), de operadoras de saúde e particulares. Só o município sede somava 117.938 habitantes no Censo 2022 do IBGE.
Classificada como hospital geral com atendimento de urgência e emergência, a instituição mantém UTI adulto, pediátrica e neonatal, unidades clínica e cirúrgica, maternidade e Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), além de ser referência em obstetrícia de alto risco e em traumatologia. Em março de 2026, a Santa Casa entregou a UTI Adulto reformada e, no mesmo ano, foi contemplada com bolsas de residência médica do Pró-Residência, programa do Ministério da Saúde voltado à formação de especialistas em áreas estratégicas para o SUS.
Por que o AVC e as urgências neurológicas exigem neurologista em minutos, e não em horas
O AVC é uma doença tempo-dependente. As terapias de reperfusão, como a trombólise intravenosa, só podem ser indicadas dentro de uma janela terapêutica restrita, e a decisão depende de exame neurológico estruturado e da interpretação da tomografia de crânio. Cada etapa entre a chegada do paciente e a definição da conduta — triagem, acionamento, imagem, discussão do caso — pesa sobre o desfecho.
O AVC, porém, é apenas uma parte da demanda neurológica de um pronto-socorro. Crises epilépticas prolongadas, alterações agudas do nível de consciência, cefaleias de início súbito e quadros neuromusculares de instalação rápida também pedem avaliação especializada precoce, seja para orientar a conduta, seja para definir com segurança quem precisa ser transferido. Por isso, na Santa Casa, o plantão do TeleAVC cobre todas as urgências neurológicas, e não apenas os casos suspeitos de AVC.
Para hospitais regionais distantes dos grandes centros — Bagé fica a mais de 370 quilômetros de Porto Alegre —, manter neurologista presencial 24 horas por dia é um desafio estrutural conhecido em todo o país. A teleinterconsulta leva o especialista ao pronto-socorro sem deslocar o paciente e reserva a transferência para os casos em que ela é, de fato, necessária.
Plantão neurológico, não sobreaviso: como funciona a teleinterconsulta do TeleAVC
O TeleAVC opera como plantão neurológico: o especialista está em turno ativo, dedicado à teleinterconsulta durante toda a escala. A diferença em relação ao sobreaviso é concreta. A Resolução CFM nº 1.834/2008 define o sobreaviso como a disponibilidade do médico que permanece à disposição da instituição de forma não presencial e é chamado quando necessário. No plantão, não há a etapa de localizar o especialista: ele já está em serviço quando a chamada chega.
O acionamento é feito por um canal telefônico dedicado de teleinterconsulta médico-médico, disponível 24 horas, com numeração exclusiva designada pela Anatel para a linha de cuidado do AVC. Não há aplicativo nem plataforma intermediária: o médico plantonista disca e fala com o neurologista. O funcionamento lembra o de uma chamada de emergência, com a diferença de que o canal é restrito à comunicação entre médicos dos hospitais contratantes, e não ao público.
O desenho é inspirado em redes regionais de telestroke do sistema de saúde do Reino Unido (NHS), nas quais o médico da emergência aciona diretamente o especialista de plantão. O modelo segue a Resolução CFM nº 2.314/2022, que regulamenta a telemedicina no Brasil e define a teleinterconsulta como a troca de informações e opiniões entre médicos para auxílio diagnóstico ou terapêutico. Cada atendimento tem a conduta registrada no prontuário eletrônico da Santa Casa, o que preserva a continuidade do cuidado, a rastreabilidade das decisões e a segurança jurídica da instituição e das equipes.
Gestão da linha de cuidado do AVC e educação continuada fazem parte da implantação
A Santa Casa contratou o TeleAVC na modalidade Premium, que agrega, ao plantão neurológico, gestão da linha de cuidado e educação continuada. Essa frente tem por objetivo organizar o atendimento ao AVC agudo como um processo institucional, e não como uma sequência de esforços individuais.
O trabalho começa pelo mapeamento da jornada do paciente com AVC e com outras urgências neurológicas dentro do hospital, da porta de entrada à definição terapêutica, para identificar onde o tempo é consumido e quais etapas podem ser padronizadas. A partir daí, protocolos assistenciais alinhados às diretrizes vigentes e indicadores de processo, como o tempo porta-imagem e o tempo porta-agulha, passam a ser acompanhados periodicamente com as equipes da Santa Casa, em ciclos de melhoria contínua voltados à eficiência do atendimento neurológico agudo.
A educação continuada completa o modelo, com capacitações multiprofissionais para médicos da emergência, enfermagem e equipes de apoio, focadas no reconhecimento precoce do AVC, no fluxo interno de acionamento e na segurança do cuidado na fase aguda. A lógica é que o especialista remoto potencialize a equipe local, sem substituí-la.
IMCELER: telemedicina de alta complexidade, gestão baseada em valor e educação
Fundado em agosto de 2024, o IMCELER é um instituto multiprofissional brasileiro de telemedicina de alta complexidade, gestão de linhas de cuidado e educação continuada, com atuação em hospitais públicos, privados e filantrópicos de diferentes regiões do país. Além do TeleAVC, oferece serviços em cardiologia, psiquiatria, radiologia e cuidados paliativos, e trabalha com gestão baseada em valor (VBHC), estruturando linhas de cuidado com protocolos, indicadores e métricas de desfecho.
O instituto é liderado pelo neurologista e neurorradiologista intervencionista Diógenes Guimarães Zãn, fundador e CEO, mestre pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) com pesquisa em gestão por processos e organização da linha de cuidado do AVC. Antes de fundar o IMCELER, liderou a Linha do AVC da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre.
“O AVC não escolhe horário nem CEP. O que o TeleAVC faz é colocar um neurologista de plantão na conversa com o médico da emergência assim que o caso chega, a qualquer hora, com tudo registrado no prontuário do hospital. A tecnologia é propositalmente simples; o que faz diferença é o plantão dedicado e a gestão da linha de cuidado junto com a equipe local”, afirma Diógenes.
Com a implantação na Santa Casa de Caridade de Bagé, o TeleAVC, serviço de telemedicina em neurologia do IMCELER, passa a dar suporte ao atendimento do AVC e das urgências neurológicas também na Campanha gaúcha.
Próximos passos na Santa Casa de Bagé
Nesta fase inicial, o trabalho se concentra na integração das equipes ao fluxo de acionamento, nos primeiros ciclos de capacitação e na construção da linha de base dos indicadores que vão orientar o acompanhamento da linha de cuidado. Para a população dos seis municípios de referência, o objetivo é que a avaliação neurológica especializada, disponível em qualquer horário para o AVC e as demais urgências neurológicas, funcione integrada a protocolos, indicadores e capacitação das equipes — ou seja, como uma linha de cuidado, e não apenas como um suporte pontual.
A iniciativa se soma a um movimento observado em hospitais regionais brasileiros: combinar especialista remoto, protocolo e indicadores para ampliar o acesso a cuidado especializado tempo-dependente, sem depender exclusivamente da fixação de especialistas no interior.
Hospitais interessados em conhecer o modelo IMCELER podem acessar imceler.com.br/contato.
FAQ
Como funciona o TeleAVC na Santa Casa de Bagé?
O médico da emergência aciona, por canal telefônico dedicado, um neurologista de plantão, que discute o caso em teleinterconsulta e apoia a definição da conduta na fase aguda. A conduta fica registrada no prontuário eletrônico da Santa Casa.
O TeleAVC atende apenas casos de AVC?
Não. Na Santa Casa de Bagé, o plantão neurológico cobre o AVC e todas as demais urgências neurológicas, como crises epilépticas prolongadas, alterações agudas da consciência e cefaleias de início súbito, sempre em teleinterconsulta com o médico do hospital.
Qual a diferença entre plantão neurológico e sobreaviso na telemedicina?
No sobreaviso, definido pela Resolução CFM nº 1.834/2008, o médico fica à disposição de forma não presencial e é chamado quando necessário. No plantão do TeleAVC, o neurologista está em turno ativo e dedicado: não há etapa de localização do especialista.
O paciente fala diretamente com o neurologista do TeleAVC?
Não. O modelo é de teleinterconsulta médico-médico, conforme a Resolução CFM nº 2.314/2022. O paciente segue sob cuidado presencial da equipe da Santa Casa, que recebe o apoio ininterrupto do especialista. O canal não é aberto ao público.
A telemedicina substitui a transferência do paciente com AVC?
Não necessariamente. A teleinterconsulta permite que muitos casos sejam conduzidos no hospital de origem. Quando há indicação de procedimento não disponível localmente, a transferência segue os fluxos de regulação.
O que inclui a gestão da linha de cuidado contratada pela Santa Casa?
Mapeamento da jornada do paciente com AVC, protocolos assistenciais, acompanhamento de indicadores de tempo, como porta-imagem e porta-agulha, e educação continuada multiprofissional, em ciclos periódicos com as equipes do hospital.

