Sinais de AVC e tempo de tratamento: neurologista Diógenes Zãn no Viver Bem Guaíba

28 de outubro de 2026
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O Viver Bem Guaíba, programa de saúde da Rádio Guaíba, de Porto Alegre (RS), tratou dos sinais de AVC e do tempo até o tratamento em entrevista com o neurologista e neurorradiologista intervencionista Diógenes Guimarães Zãn. A conversa, conduzida pela jornalista Paula Oliveira de Sá, foi gravada em 15 de setembro de 2026 e veiculada em 24 de outubro, cinco dias antes do Dia Mundial do AVC, lembrado em 29 de outubro.

O Viver Bem Guaíba estreou em 21 de junho de 2025, em transmissão semanal aos sábados, com a proposta de levar informação sobre prevenção, hábitos saudáveis e avanços médicos com base científica, conforme divulgou o Coletiva.net. A apresentadora, Paula Oliveira de Sá, tem 25 anos de experiência em comunicação e marketing. A Rádio Guaíba, fundada em 1957, é sintonizada em Porto Alegre em 101,3 FM e 720 AM. Segundo a apresentadora, a entrevista fica disponível no Spotify e no YouTube.

Um especialista com formação em neurologia e neurorradiologia intervencionista no HCPA/UFRGS

Diógenes Guimarães Zãn é neurologista e neurorradiologista intervencionista, com formação no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde também concluiu mestrado em neurociências no Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas. É diretor técnico e CEO do IMCELER, instituto brasileiro de telemedicina de alta complexidade. Segundo relatou no programa, a origem em Vilhena (RO), cidade do interior que não tinha neurologista, explica seu interesse em levar atendimento especializado a hospitais distantes dos grandes centros.

AVC isquêmico e hemorrágico têm tratamentos opostos, e só a imagem diferencia

Ao explicar a doença, Diógenes descreveu o AVC isquêmico como a obstrução de uma artéria por um coágulo, que exige desobstruir o vaso, e o hemorrágico como o rompimento de uma artéria, que exige controlar o sangramento. Como as condutas são opostas, afirmou, nem o melhor exame neurológico distingue os dois tipos: é preciso uma tomografia, exame que, segundo ele, não está disponível em UPAs, no SAMU ou em hospitais menores. Daí a orientação de buscar um serviço com tomografia e neurologia 24 horas.

Sinais de AVC: boca torta, fraqueza no braço ou na perna e dificuldade para falar

Entre os sinais de alerta, o neurologista destacou o desvio da boca, a dificuldade para levantar um braço ou uma perna e a fala enrolada ou a perda das palavras. Acrescentou a perda súbita de equilíbrio, a perda súbita de campo visual e a dor de cabeça muito intensa, fora do padrão habitual. Segundo ele, esses sintomas costumam não causar dor, o que leva a explicações como frio, cansaço ou má posição ao dormir. Ele citou dado de sua dissertação de mestrado, desenvolvida no HCPA: 41% dos pacientes entrevistados não procuraram ajuda médica na primeira hora de sintomas.

Sintomas que desaparecem em minutos podem indicar ataque isquêmico transitório, conhecido como “princípio de AVC”. Para o especialista, a conduta é a mesma: procurar avaliação imediata, porque o coágulo pode voltar a obstruir a artéria dias depois.

Diante da suspeita de AVC, o primeiro passo é chamar o serviço de urgência

Para quem presencia os sinais, a orientação foi acionar imediatamente o SAMU, pelo 192, ou o serviço de ambulância do plano de saúde, em vez de esperar que alguém leve a pessoa ao hospital. Também não se deve oferecer água, comida ou medicamentos, como aspirina ou remédios para a pressão, antes da avaliação por imagem, porque o AVC pode ser hemorrágico. Segundo o neurologista, o socorro deve levar o paciente ao hospital com tomografia e neurologia 24 horas.

Sinais de AVC e tempo de tratamento: neurologista Diógenes Zãn no Viver Bem Guaíba
Sinais de AVC e tempo de tratamento: neurologista Diógenes Zãn no Viver Bem Guaíba

Tempo é cérebro: o que a evidência mostra sobre trombólise e trombectomia

A expressão “tempo é cérebro” tem base em estimativa quantitativa de Jeffrey Saver, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), publicada na revista Stroke: em um AVC isquêmico típico de grande vaso, cerca de 1,9 milhão de neurônios são perdidos a cada minuto sem tratamento. Sobre as terapias, Diógenes lembrou que a trombólise intravenosa tem evidência desde 1995. Ensaio clínico randomizado publicado no New England Journal of Medicine mostrou que pacientes tratados em até três horas do início do AVC tiveram pelo menos 30% mais chance de apresentar pouca ou nenhuma incapacidade em três meses, ao custo de maior frequência de hemorragia cerebral sintomática (6,4% contra 0,6% no grupo placebo).

A trombectomia mecânica, indicada a um grupo selecionado de pacientes com oclusão de grande vaso, teve benefício funcional demonstrado em 2015 pelo estudo MR CLEAN, ensaio randomizado com 500 pacientes que avaliou o tratamento intra-arterial em até seis horas. Segundo o neurologista, a janela da trombólise é de até 4,5 horas e a da trombectomia pode chegar a 24 horas em casos selecionados. Ele afirmou ainda que o Brasil registra cerca de 400 mil casos de AVC por ano e que apenas cerca de 2% dos pacientes acessam o tratamento de reperfusão.

Prevenção: fatores de risco modificáveis e 30 minutos de atividade física

Na segunda parte da conversa, o foco foi a prevenção. Diógenes citou o sedentarismo, o excesso de calorias e de alimentos ultraprocessados, a hipertensão arterial, que, segundo ele, lesiona a parede das artérias e favorece tanto aneurismas quanto placas, e a apneia do sono, associada a pausas respiratórias, ronco e cansaço mesmo após uma noite inteira de sono. Entre as mulheres, apontou que a combinação de enxaqueca com aura e anticoncepcionais com estrogênio aumenta o risco, e que a reposição hormonal na menopausa deve ser avaliada individualmente com o médico. Alertou também para o uso de hormônios sem indicação médica por motivos estéticos. A recomendação prática foi reservar 30 minutos diários para atividade física, adaptada às limitações de cada pessoa.

O especialista afirmou que a mudança de hábitos poderia prevenir até 90% dos AVCs. O número tem respaldo parcial na literatura: o estudo INTERSTROKE, caso-controle em 32 países publicado na revista The Lancet em 2016, associou dez fatores de risco modificáveis a cerca de 90% do risco atribuível populacional de AVC. Por se tratar de estimativa de associação, e não de ensaio de intervenção, o dado indica o potencial da prevenção, sem garantir que esse percentual seja evitado em cada pessoa. Para dimensionar o risco, o neurologista citou que uma em cada quatro pessoas terá AVC ao longo da vida; estimativa do estudo Global Burden of Disease 2016 aponta risco global de 24,9% a partir dos 25 anos.

Telemedicina com acionamento por telefone amplia o acesso ao neurologista

Ao tratar do acesso ao tratamento, Diógenes apontou a escassez de especialistas: segundo apresentou no programa, o país tem cerca de 7 mil hospitais e 5,8 mil neurologistas. Nesse cenário, o TeleAVC, serviço de telemedicina em neurologia do IMCELER, opera por acionamento telefônico direto, em numeração exclusiva designada pela Anatel, em teleinterconsulta médico-médico 24 horas, com registro da conduta no prontuário eletrônico do próprio hospital. O acionamento funciona como uma chamada de emergência: o médico plantonista disca um número exclusivo e fala com o especialista em minutos, com a diferença de que o canal é restrito à comunicação médico-médico dos hospitais contratantes, não ao público.

Segundo o especialista, o modelo é semelhante ao adotado por redes de telestroke no Reino Unido e na Austrália, baseadas em acionamento telefônico direto, e evita aplicativos que atrasam decisões em doenças tempo-dependentes. O registro em prontuário segue a Resolução CFM nº 2.314/2022, no marco da Lei nº 14.510/2022, que autoriza e disciplina a telessaúde em todo o território nacional. O Hospital Sapiranga, em Sapiranga (RS), conta com o TeleAVC desde 2025; segundo Diógenes, a unidade dispõe de tomografia, ressonância e cobertura neurológica 24 horas por meio do serviço, e desenvolve ações educativas em escolas com o projeto Fast Heroes.

Dia Mundial do AVC reforça a mensagem de agir sem esperar

No quadro de mitos e verdades que encerrou o programa, o especialista classificou como verdadeira a afirmação de que controlar a pressão arterial é uma das medidas mais importantes para prevenir o AVC e como mito a ideia de que o risco desaparece depois de uma boa recuperação. Reforçou que não se deve oferecer água, comida ou remédio a quem apresenta sinais. O Dia Mundial do AVC, iniciado em 2006 pela World Stroke Organization, é lembrado todo 29 de outubro, e em 2026 cai numa quinta-feira. A mensagem final foi direta: diante de sintomas súbitos, não esperar que passem, porque o tempo é cérebro.

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FAQ

Quais são os principais sinais de AVC?

Segundo o neurologista Diógenes Zãn, os principais são boca torta, dificuldade para levantar um braço ou uma perna e dificuldade para falar ou se comunicar. Perda súbita de equilíbrio, perda súbita de visão e dor de cabeça muito intensa, fora do padrão, também exigem atenção imediata.

O que fazer diante da suspeita de AVC?

Ligar na hora para o SAMU (192) ou para o serviço de ambulância do plano de saúde, sem esperar que alguém leve a pessoa. Não oferecer água, comida ou remédios antes da avaliação por imagem. O destino deve ser um hospital com tomografia e neurologia 24 horas.

Qual a diferença entre AVC isquêmico e hemorrágico?

O isquêmico ocorre por obstrução de uma artéria, geralmente por coágulo. O hemorrágico ocorre por rompimento de uma artéria. Os tratamentos são opostos, e apenas um exame de imagem, como a tomografia, permite diferenciar os dois.

Por que o tempo é decisivo no tratamento do AVC?

Estimativa publicada na revista Stroke calcula que, em um AVC isquêmico típico de grande vaso, cerca de 1,9 milhão de neurônios são perdidos a cada minuto sem tratamento. Por isso o reconhecimento rápido dos sinais e a chegada ao hospital adequado são determinantes.

Como a telemedicina em neurologia funciona em hospitais sem neurologista 24 horas?

No modelo do TeleAVC, serviço do IMCELER, a equipe do hospital aciona por telefone um neurologista de plantão remoto, que avalia o caso com o médico local e registra a conduta no prontuário do hospital. A telemedicina contribui para ampliar o acesso, mas não substitui a estrutura de imagem e a equipe treinada.


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Construindo futuros em saúde.




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Diretor técnico:
Dr. Diógenes Guimarães Zãn
CRM-RS 41.685
RQE RS 34.942 – neurologista
RQE-RS NRI 39.490 – neurorradiologista


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Última atualização: 23/10/2026 –
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