Hospital Regina debate AVC e infarto em fórum em Novo Hamburgo

O Hospital Regina promoveu, na noite de 6 de agosto, o I Fórum Regina de Urgências Tempo-Dependentes, no Swan Novo Hamburgo. O evento teve realização conjunta do Hospital Regina, da Rede Santa Catarina, e do IMCELER.
O encontro reuniu especialistas em neurologia vascular, cardiologia intervencionista, neurointervenção, enfermagem de urgência e gestão em saúde para discutir o atendimento ao acidente vascular cerebral (AVC) e ao infarto agudo do miocárdio (IAM) — duas condições em que o intervalo entre o início dos sintomas e o tratamento define diretamente o desfecho do paciente.
A escolha do tema não é casual. AVC e infarto compartilham uma mesma lógica fisiopatológica: a interrupção do fluxo sanguíneo a um território — cerebral ou miocárdico — provoca perda tecidual progressiva enquanto a reperfusão não é restabelecida. Nesses quadros, o tempo não é uma variável logística; é uma variável clínica. Cada etapa evitável entre o chamado do socorro e a terapia de reperfusão traduz-se em tecido perdido.
Essa foi a premissa da abertura, conduzida pelo Dr. Diógenes Zãn, neurologista vascular e neurorradiologista intervencionista, na palestra “Por que o tempo define tudo: a lógica comum do AVC e do IAM”. A proposta do fórum foi tratar as duas condições em conjunto, e não em trilhas separadas — reconhecendo que o hospital que organiza bem uma rota de reperfusão tende a organizar melhor a outra, porque os gargalos são estruturalmente semelhantes: reconhecimento precoce, pré-notificação, fluxo interno sem redundâncias e decisão clínica apoiada em especialista.

Do pré-hospitalar à sala de intervenção: um percurso discutido por inteiro
A programação foi construída para acompanhar o paciente ao longo de toda a cadeia de cuidado. O Dr. Diógenes Zãn abordou a conduta médica no AVC agudo nas fases pré e intra-hospitalar, enquanto o Dr. Luciano Degrandi, cardiologista, apresentou a abordagem correspondente no infarto agudo do miocárdio, também contemplando os dois momentos.
Esse desenho tem um destinatário claro: as equipes que fazem o primeiro contato com o paciente. O fórum contou com a presença de profissionais do atendimento pré-hospitalar e de hospitais da região, além das equipes do próprio Hospital Regina. Em urgências tempo-dependentes, a qualidade da triagem na cena e a comunicação prévia com o hospital de destino são determinantes para o tempo total até o tratamento — e são justamente as etapas que menos dependem de tecnologia e mais dependem de padronização e treinamento.
O papel da enfermagem e a atuação intervencionista
Um dos blocos do encontro foi dedicado ao papel da equipe de enfermagem na fase aguda do AVC e do IAM, apresentado pelo Enf. Marcelo Klu, mestre em neurologia vascular pela UFRGS.
O recorte é relevante porque a enfermagem opera nos pontos de maior variabilidade do processo: reconhecimento de sinais de alerta, aplicação de escalas, acionamento do código, preparo do paciente para a tomografia ou para a sala de hemodinâmica e monitorização durante e após a reperfusão. Programas de qualidade em AVC reconhecidos internacionalmente identificam esses passos como os principais responsáveis pela redução do tempo porta-agulha. Colocar a enfermagem como palestrante — e não como plateia — é uma decisão que reflete essa evidência.
Já a parte intervencionista da programação coube a dois profissionais do Corpo Clínico Regina e que atuam na Cardiosinos, serviço parceiro da Instituição. A Dra. Daniela Lunelli, responsável pela área de neurointervenção, apresentou trombectomia mecânica e embolização de aneurisma. O Dr. Renato Roese, diretor clínico da Cardiosinos e cardiologista intervencionista do Hospital Regina, discutiu angioplastia coronária primária.
Angioplastia primária e trombectomia mecânica não dependem apenas de equipamento: dependem de equipe disponível em regime contínuo, de indicação especializada correta e de um hospital capaz de sustentar o fluxo em qualquer horário. O Hospital Regina reúne hemodinâmica 24 horas, sobreaviso de cardiologia especializado e o suporte neurológico remoto do TeleAVC®, serviço de telemedicina em neurologia do IMCELER voltado ao atendimento do AVC agudo. É a combinação — não qualquer elemento isolado — que sustenta o resultado.


Medir o que importa: indicadores e valor em saúde
O fórum encerrou a programação técnica com Nicole Pertile, especialista em valor em saúde e gestão de processos do IMCELER, certificada Yellow Belt em VBHC, na palestra “Indicadores de qualidade e Valor em Saúde: como medimos o que importa”.
A inclusão do tema em um evento clínico tem lógica própria. Linhas de cuidado em AVC e infarto só evoluem quando os intervalos são medidos com consistência — tempo porta-agulha, tempo porta-balão, taxa de pré-notificação, adesão a protocolo. Sem medição, a discussão sobre qualidade permanece no campo da percepção. A gestão baseada em valor propõe deslocar o eixo de avaliação do volume de procedimentos para os desfechos que importam ao paciente, e depende de indicadores auditáveis para funcionar.
O I Fórum Regina de Urgências Tempo-Dependentes articulou, em uma única noite, os três componentes que sustentam uma linha de cuidado madura: qualificação técnica das equipes, integração com a rede pré-hospitalar e mensuração sistemática de resultados.

