Sírio-Libanês reúne especialistas em encontro sobre protocolos gerenciados de sepse, AVC e dor torácica

O Instituto de Responsabilidade Social Sírio-Libanês (IRSSL) promoveu, em 24 de junho de 2026, no Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP) do Hospital Sírio-Libanês, um encontro técnico-científico dedicado às atualizações de 2026 em três protocolos gerenciados estratégicos: sepse, AVC e dor torácica. Sob o mote “Agir rápido salva vidas”, o evento reuniu, de forma presencial e online, profissionais das instituições vinculadas ao IRSSL para discutir como o tempo de resposta impacta diretamente o desfecho clínico nas linhas de cuidado de maior criticidade.
Tempo como variável crítica no cuidado de alta complexidade
A escolha temática do encontro reflete uma diretriz consolidada na medicina de urgência: em condições tempo-dependentes, a padronização do atendimento e a redução da variabilidade são determinantes para a sobrevida e para a qualidade da recuperação. Sepse, AVC e dor torácica compartilham a mesma lógica assistencial — cada minuto economizado no reconhecimento precoce e na intervenção adequada se traduz em menor mortalidade e menor incapacidade.
Ao posicionar os protocolos gerenciados como cultura institucional, e não apenas como documentos técnicos, o IRSSL reforça um modelo de gestão assistencial orientado a indicadores e a desfechos mensuráveis. A proposta do evento foi justamente fortalecer essa cultura, promovendo a troca de experiências entre equipes multiprofissionais e o alinhamento de práticas baseadas nas evidências mais recentes.
Organização e liderança assistencial do IRSSL
A organização do encontro esteve a cargo de Juliana Lopes, gerente de Práticas Assistenciais do IRSSL, e de Bianca Grassi Miranda, diretora médica e assistencial do Instituto de Responsabilidade Social Sírio-Libanês. A condução reflete o papel do IRSSL na disseminação de boas práticas e na estruturação de protocolos institucionais entre as unidades sob sua gestão, consolidando o Sírio-Libanês como referência na padronização da assistência de alta complexidade no país.
A programação reuniu especialistas de diferentes áreas. A discussão sobre sepse foi conduzida pelo Dr. Lude Bittencourt, infectologista, com foco no reconhecimento precoce e na intervenção rápida para redução de mortalidade. O protocolo de dor torácica em rede foi apresentado pelo Dr. André Feldman, cardiologista da Rede D’Or São Luiz, que abordou a padronização do atendimento, o monitoramento dos tempos assistenciais e a otimização do fluxo do paciente. O tema foi aprofundado em mesa-redonda conduzida pelo Dr. Ivanhoe Stuart, cardiologista, dedicada à perspectiva centrada no paciente e à troca de experiências entre os especialistas.


AVC em foco: o que mudou nas diretrizes de 2026
A linha de cuidado do AVC foi conduzida pelo Dr. Diógenes Guimarães Zãn, neurologista e neurorradiologista intervencionista. Sua apresentação abordou as atualizações das diretrizes de 2026, com destaque para a inclusão do AVC pediátrico e os desafios específicos do diagnóstico em crianças — um avanço relevante para os serviços que estruturam protocolos de atendimento ao AVC em diferentes faixas etárias.
Em sua exposição, o especialista detalhou os componentes que tornam um protocolo gerenciado de AVC efetivo: a organização da linha de cuidado, a rapidez no reconhecimento dos sinais, a agilidade no acesso à neuroimagem e a segurança na indicação da trombólise. Trata-se de um conjunto de fatores que, articulados, sustentam a tomada de decisão clínica em janelas terapêuticas estreitas.
Como demonstração concreta dessa lógica aplicada à realidade assistencial, o Dr. Diógenes apresentou os resultados obtidos no Hospital Regional de Registro, unidade vinculada ao IRSSL, onde a linha de cuidado do AVC conta com o suporte do TeleAVC® há mais de um ano. Segundo os dados apresentados no encontro, a mortalidade por AVC na unidade registrou redução superior a 50% após a implementação do serviço — resultado associado à estruturação do protocolo gerenciado, à agilidade diagnóstica e à segurança na indicação da trombólise com retaguarda especializada remota.

O TeleAVC®, serviço de telemedicina em neurologia fundado pelo Dr. Diógenes, oferece atualmente suporte a mais de 20 hospitais em diferentes regiões do país. A experiência acumulada na operação de linhas de cuidado de AVC em rede contribuiu para a perspectiva apresentada no encontro, conectando a discussão teórica das diretrizes à realidade operacional dos serviços de emergência.
Cultura de protocolos como ativo institucional
Encontros como o promovido pelo IRSSL evidenciam uma tendência consistente na gestão hospitalar contemporânea: a maturidade de uma instituição mede-se cada vez mais pela capacidade de operar protocolos gerenciados com disciplina, indicadores e revisão contínua. Ao reunir infectologia, neurologia e cardiologia sob a mesma lógica de tempo-resposta, o evento traduziu, na prática, o que significa uma assistência mais segura, ágil e eficiente.
O fortalecimento dessa cultura, somado à integração entre equipes presenciais e remotas, aponta para o caminho que hospitais de referência vêm trilhando para reduzir variabilidade e elevar a qualidade do cuidado em condições críticas.
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