O Desafio do Valor em Saúde: A Lenta Transição dos Modelos de Remuneração no Brasil

19 de março de 2026
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A evolução da gestão em saúde exige uma mudança profunda na forma como os resultados são medidos e financiados. Durante o último “Saúde em 30 minutos”, o Dr. Diógenes Zãn, Diretor Médico do IMCELER, trouxe para o centro da discussão o conceito de valor em saúde, cunhado por Michael Porter. Ele explicou que essa métrica essencial é calculada dividindo os resultados que realmente importam para o paciente pelos custos envolvidos no processo. O objetivo central dessa equação é maximizar o desfecho clínico e, simultaneamente, reduzir o peso financeiro da operação.

A Equação de Porter e a Entrega de Resultados

Para ilustrar a aplicação prática dessa teoria, o Dr. Diógenes citou cenários contrastantes do dia a dia médico. Ele argumentou que tratamentos excessivamente caros, mas que promovem mudanças mínimas na qualidade de vida do doente, representam um baixo valor em saúde. Em contrapartida, intervenções financeiramente acessíveis, como campanhas de vacinação ou a administração precisa de um antibiótico para evitar sequelas irreversíveis, entregam um altíssimo valor para a sociedade. Com essa base conceitual estabelecida, o diretor do IMCELER questionou como esse novo formato de medicina baseada em valor está penetrando no complexo ambiente hospitalar brasileiro.

O Fim da Lógica do Desperdício na Saúde Suplementar

Em resposta a essa reflexão, o Dr. André Wajner, CEO da Eficiência Hospitalista, dividiu o cenário nacional em dois grandes panoramas. Ao analisar o setor privado e a saúde suplementar, ele relatou observar um movimento crescente de operadoras, seguradoras e autogestões buscando empacotar os seus serviços. Essa transição visa substituir o antigo modelo de pagamento por serviço, onde o ganho financeiro da instituição cresce proporcionalmente ao volume de procedimentos realizados. O executivo classificou como absurda a lógica ainda vigente em larga escala no Brasil, na qual um hospital pode faturar mais ao realizar uma segunda cirurgia corretiva, decorrente de uma complicação, do que no procedimento original bem-sucedido. Segundo ele, a migração para formatos de diárias globais já apresenta resultados muito favoráveis e corrige essa distorção.

O Abismo Público e os Oásis de Inovação Estadual

Ao focar no setor público, o CEO da Eficiência Hospitalista descreveu um ambiente de imensa variabilidade. Na esfera federal, ele avalia que o modelo permanece completamente arcaico, ancorado no pagamento por produção e com pouquíssimos mecanismos que recompensem a eficiência ou a qualidade do atendimento. Contudo, a realidade estadual revela gratas surpresas. Ele ressaltou que sua equipe conhece de perto o sucesso de políticas de saúde pública implementadas em Minas Gerais e no Espírito Santo. Nesses locais, a adoção de incentivos corretos gerou uma transformação notável nos indicadores de acesso e nos desfechos clínicos da população.

Apesar desses avanços regionais, o Dr. André reconhece que estados como o Rio Grande do Sul ainda mantêm uma postura bastante conservadora em suas contratualizações. A imensidão territorial do Brasil reflete essa fragmentação de condutas, atrasando o país em muitos anos quando comparado às nações mais desenvolvidas. Mesmo diante dessas barreiras estruturais, o executivo enxerga o futuro de forma positiva, notando que os gestores públicos começam a compreender que alinhar contratos com a entrega de resultados é o único caminho sustentável.



Este texto foi produzido com base em uma conversa do quadro “Saúde em 30 minutos”, uma iniciativa do
IMCELER – Instituto Multiprofissional, entre o Dr. Diógenes Zãn (Diretor Médico do IMCELER) e o Dr. André Wajner (CEO da Eficiência Hospitalista). O episódio completo está disponível em nosso canal no YouTube e também em formato de áudio nas principais plataformas de streaming.


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Diretor técnico:
Dr. Diógenes Guimarães Zãn
CRM-RS 41.685
RQE RS 34.942 – neurologista
RQE-RS NRI 39.490 – neurorradiologista

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