Beneficência Portuguesa de Pelotas amplia serviço de hemodinâmica e abre caminho para qualificar a linha de cuidado do AVC com neurorradiologia intervencionista

A Beneficência Portuguesa de Pelotas deu mais um passo na consolidação de sua estrutura de alta complexidade com a ampliação de seu serviço de hemodinâmica. A nova unidade foi conhecida em visita técnica do Dr. Diógenes Guimarães Zãn, neurologista e neurorradiologista intervencionista, titulado pela Sociedade Brasileira de Neurorradiologia Intervencionista, a convite do Dr. Armando Manduca da Rocha, diretor executivo do hospital, e de Maicon Bigliardi, administrador do Saúde Maior. O encontro avaliou o potencial da nova estrutura para expandir o escopo de procedimentos minimamente invasivos oferecidos pela instituição — incluindo, futuramente, tratamentos neurológicos endovasculares.
Um hospital com tradição em alta complexidade
Fundada em 1857, a Beneficência Portuguesa de Pelotas é um dos hospitais filantrópicos mais tradicionais do Rio Grande do Sul e referência regional na metade sul do estado. A trajetória do Dr. Armando Manduca da Rocha está diretamente ligada à instituição: integrante do corpo clínico desde 1970, foi um dos fundadores do serviço de Nefrologia e responsável pelo primeiro transplante renal da cidade, atuando hoje como diretor executivo e impulsionador do crescimento estrutural do hospital.
Esse investimento contínuo em estrutura tem ampliado a capacidade resolutiva da instituição. Em 2022, o hospital inaugurou um novo centro cirúrgico com mais de mil metros quadrados, incluindo uma sala híbrida dedicada a procedimentos vasculares minimamente invasivos, posicionando-se como referência regional para procedimentos vasculares, cardiológicos, neurológicos e de urgência. A ampliação da hemodinâmica reforça essa vocação.
Hemodinâmica como plataforma para procedimentos minimamente invasivos
O laboratório de hemodinâmica é a estrutura na qual se realizam intervenções por cateterismo — procedimentos minimamente invasivos guiados por imagem que dispensam grandes incisões cirúrgicas. Tradicionalmente voltado à cardiologia intervencionista, o serviço da Beneficência atende casos eletivos, de urgência e emergência em regime de funcionamento 24 horas.
A relevância de uma hemodinâmica moderna, porém, vai além da cardiologia. A mesma plataforma angiográfica que viabiliza o tratamento do infarto agudo do miocárdio é a base tecnológica para a neurorradiologia intervencionista — subespecialidade que trata, por via endovascular, doenças cerebrovasculares de alta gravidade. Foi esse o eixo central da visita técnica.
A oportunidade de qualificar a linha de cuidado do AVC
A ampliação da hemodinâmica abre uma janela concreta para elevar o patamar da linha de cuidado do AVC na Beneficência Portuguesa de Pelotas. Com a estrutura adequada, a instituição poderá viabilizar a implementação de tratamentos neurológicos minimamente invasivos por meio da neurorradiologia intervencionista, entre eles o tratamento de aneurismas cerebrais, a trombectomia mecânica para o AVC isquêmico e o tratamento de malformações arteriovenosas.


A trombectomia mecânica, em particular, representa um avanço decisivo no cuidado ao AVC isquêmico: o procedimento permite a remoção física do trombo que obstrui uma artéria cerebral, sendo indicado em casos selecionados de oclusão de grandes vasos, nos quais a trombólise medicamentosa isolada pode não ser suficiente. Sua disponibilidade local evita transferências demoradas e amplia a janela de oportunidade terapêutica para pacientes da região.
Telemedicina em neurologia como base já estabelecida
A Beneficência Portuguesa de Pelotas já conta com retaguarda especializada contínua na linha de cuidado do AVC. O Saúde Maior, vinculado ao hospital, opera o TeleAVC®, serviço de telemedicina em neurologia do IMCELER, instituição da qual o Dr. Diógenes é CEO, garantindo suporte neurológico emergencial 24 horas por dia às equipes de plantão para apoio à decisão clínica em casos de AVC agudo.
A eventual incorporação da neurorradiologia intervencionista somaria, a essa base já consolidada de telemedicina, a capacidade de oferecer tratamento endovascular no próprio hospital — completando o percurso assistencial do paciente com AVC, do diagnóstico e da indicação terapêutica à intervenção de alta complexidade. É a lógica da linha de cuidado integrada: reconhecer rápido, decidir com segurança e tratar no nível adequado de complexidade.
Um movimento alinhado às melhores práticas
A visita técnica reflete uma tendência consistente entre hospitais de referência regional: investir em estrutura que permita verticalizar o cuidado de alta complexidade próximo à população atendida. Ao ampliar sua hemodinâmica e avaliar o potencial neurovascular dessa estrutura, a Beneficência Portuguesa de Pelotas reafirma seu compromisso histórico com a qualificação assistencial e com o acesso da comunidade da metade sul gaúcha a tratamentos de ponta.
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