Cuidados paliativos em hospitais: IMCELER e ex-presidente da ANCP unem forças para combater a distanásia no Brasil

15 de abril de 2026
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O IMCELER, instituto multiprofissional de telemedicina especializada e gestão de linhas de cuidado, deu mais um passo na ampliação de seu escopo de atuação ao reunir-se com o Dr. Rodrigo Kappel Castilho, ex-presidente da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP) e editor principal do Tratado de Cuidados Paliativos da entidade — a maior obra de referência em paliativismo da América Latina, com mais de mil páginas. O encontro, realizado na sede do instituto, marca o início de um projeto voltado a qualificar a atenção em cuidados paliativos no país, com foco na redução da distância entre essa medicina especializada e hospitais de pequeno e médio porte.

A iniciativa surge em um momento de inflexão para o setor. Em maio de 2024, o Ministério da Saúde instituiu a Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP) por meio da Portaria GM/MS nº 3.681, integrando formalmente os cuidados paliativos à Rede de Atenção à Saúde do SUS. A expectativa do governo federal é habilitar cerca de 1.300 equipes — entre matriciais e assistenciais — compostas por médicos, enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos em todo o território nacional. Contudo, a operacionalização dessa política esbarra em desafios concretos, sobretudo para instituições de menor porte e menor densidade de especialistas.

O custo invisível da distanásia: quando a obstinação terapêutica compromete o hospital

Para compreender a relevância clínica e gerencial desse movimento, é necessário olhar para o que acontece quando os cuidados paliativos estão ausentes. O conceito de distanásia — também denominada “obstinação terapêutica” na Europa e “futilidade médica” (medical futility) nos Estados Unidos — descreve a prática de submeter pacientes com prognóstico irreversível a intervenções agressivas que não prolongam a vida com qualidade, mas estendem o processo de morrer com sofrimento. Trata-se do emprego de medidas invasivas, tecnologicamente complexas e de alto custo — como antibioticoterapia de último recurso, procedimentos hemodinâmicos avançados e suporte ventilatório desproporcional — em situações nas quais o benefício terapêutico é nulo ou mínimo.

O impacto dessa prática vai muito além do sofrimento humano. Profissionais de saúde que atuam em unidades de terapia intensiva identificam o alto custo como um dos elementos centrais de condutas distanásicas, uma vez que o investimento em terapêutica de alta complexidade só se justifica quando visa à recuperação efetiva do paciente. Como o próprio Dr. Rodrigo Castilho já definiu publicamente: “Distanásia é quando o paciente é arrastado com aparelhos e medidas que não são capazes de trazer a vida de volta.” Em hospitais de pequeno e médio porte — muitos deles filantrópicos, com orçamentos restritos e margens operacionais estreitas — a alocação de recursos em intervenções desproporcionais compromete diretamente a sustentabilidade financeira e desvia insumos que poderiam beneficiar pacientes com perspectiva real de melhora. A distanásia, portanto, não é apenas um dilema ético: é um problema de gestão que corrói silenciosamente a eficiência operacional de instituições que já operam no limite.

A literatura internacional reforça esse quadro com dados consistentes. Uma meta-análise publicada em 2025, que revisou 25 estudos conduzidos entre 2014 e 2024, demonstrou que diferentes modalidades de cuidados paliativos estão associadas a redução de custos assistenciais nos últimos um, três e seis meses de vida dos pacientes. Outro estudo, conduzido em seis hospitais norte-americanos, encontrou que a consultoria de equipes de cuidados paliativos nos primeiros dois dias de internação esteve associada a custos hospitalares até 32% menores em pacientes com múltiplas comorbidades. Revisões de evidência econômica indicam, de forma consistente, que consultorias paliativas em regime hospitalar estão associadas a menos internações, menos reinternações e custos reduzidos.

Um déficit estrutural: por que o Brasil ainda morre mal

Apesar de a Organização Mundial da Saúde recomendar a organização de cuidados paliativos em nível nacional, o Brasil ainda apresenta desenvolvimento insuficiente nessa área quando comparado a outros países da América Latina. Levantamento da ANCP apontou que, dos mais de cinco mil hospitais brasileiros, apenas 10% dispõem de uma equipe de cuidados paliativos — um total de 177 equipes, com mais da metade concentrada na Região Sudeste.

Esse cenário cria uma lacuna particularmente grave nos hospitais de referência regional — muitas vezes a porta de entrada para pacientes com doenças graves e ameaçadoras da vida em municípios que não contam com centros de alta complexidade. A ANCP estima que apenas 10% dos brasileiros que necessitam de cuidados paliativos têm acesso efetivo a eles, em razão de barreiras estruturais, formativas e culturais. A formação insuficiente de profissionais, o estigma que associa cuidados paliativos a abandono terapêutico e a escassez de protocolos institucionalizados compõem um cenário no qual a distanásia segue sendo, em muitos hospitais, a regra — e não a exceção.

O projeto IMCELER e Rodrigo Castilho: telemedicina paliativa como estratégia de acesso

É nesse contexto que o IMCELER e o Dr. Rodrigo Kappel Castilho convergem em torno de um objetivo comum: estruturar um modelo que permita levar cuidados paliativos qualificados a hospitais que hoje não dispõem de equipes especializadas para essa finalidade.

O projeto parte da mesma lógica que orienta a atuação do IMCELER em outras linhas de cuidado: a integração entre assistência especializada remota e presencial, gestão baseada em valor com indicadores clínicos e educação continuada para equipes multiprofissionais. O instituto, que já opera os serviços TeleAVC®, TeleInfarto®, TelePsiquiatria® e TeleRADIO em hospitais de seis estados brasileiros, aplica um modelo reconhecido por certificações internacionais como a Angels Initiative e a World Stroke Organization — e que agora se propõe a incorporar a abordagem paliativa como mais uma dimensão do cuidado integral.

Um currículo à altura do desafio

A participação do Dr. Rodrigo Kappel Castilho confere ao projeto uma credencial técnica singular. Graduado em Medicina pela Universidade Católica de Pelotas, com residência em Medicina Interna e Medicina Intensiva e título de Área de Atuação em Medicina Paliativa pela Associação Médica Brasileira, Castilho acumula experiência clínica como plantonista do CTI adulto do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e atuação institucional como diretor científico (2021–2022) e presidente da ANCP (2023–2025). É também fundador e CEO da Pallatium Cuidados Paliativos, empresa multiprofissional de Porto Alegre dedicada ao atendimento paliativo de pacientes e famílias.

Sua gestão à frente da ANCP foi marcada pela articulação junto ao Ministério da Saúde, ao CONASS e ao CONASEMS para a construção da Política Nacional de Cuidados Paliativos — um marco regulatório que ele acompanhou desde a concepção até a publicação. Sua presença no projeto do IMCELER sinaliza um compromisso com rigor científico, experiência assistencial e visão de política de saúde.

Da proporcionalidade terapêutica à eficiência hospitalar

Mais do que uma questão ética — embora o seja, de forma central —, a qualificação dos cuidados paliativos dentro dos hospitais representa uma decisão estratégica de gestão. A proporcionalidade terapêutica, princípio que orienta a adequação das intervenções ao real benefício esperado para cada paciente, está diretamente associada à alocação racional de recursos.

Quando um hospital estrutura protocolos para identificar precocemente pacientes elegíveis a cuidados paliativos e direciona o plano terapêutico para o controle de sintomas, o alívio do sofrimento e o suporte à família, ele simultaneamente reduz a utilização de leitos de terapia intensiva para pacientes sem perspectiva de recuperação, diminui o consumo de insumos de alto custo em intervenções com baixa expectativa de benefício e contribui para desfechos mais dignos, alinhados às preferências dos pacientes e seus familiares. A lógica é a da medicina baseada em valor: melhores resultados clínicos, com uso mais inteligente dos recursos disponíveis.

O IMCELER entende que a telemedicina pode cumprir papel decisivo nesse processo. Ao conectar hospitais de menor porte a especialistas em medicina paliativa por meio de seus canais dedicados 24 horas, o instituto permite que equipes locais tenham suporte qualificado para a tomada de decisão clínica em tempo real — desde a avaliação de proporcionalidade terapêutica até o manejo de sintomas refratários. E a dimensão educacional do projeto, com capacitação permanente de equipes multiprofissionais, contribui para a mudança de cultura institucional que a PNCP demanda.

Um caminho que o Brasil precisa percorrer — e que já começou

Ao completar um ano, a Política Nacional de Cuidados Paliativos enfrenta como um de seus maiores desafios a habilitação de equipes matriciais e assistenciais, exigindo articulação entre gestores municipais, estaduais e hospitalares dentro de redes integradas. Para hospitais de pequeno e médio porte, a jornada é ainda mais complexa: sem massa crítica de especialistas nem recursos para manter equipes dedicadas, a implementação de programas de cuidados paliativos pode parecer uma meta distante.

Iniciativas como o projeto que o IMCELER e o Dr. Rodrigo Kappel Castilho começam a estruturar sinalizam que há caminhos viáveis — e que a telemedicina especializada pode ser a ponte entre a política pública e a realidade hospitalar. A combinação entre suporte especializado remoto, gestão de linhas de cuidado por indicadores e formação permanente de equipes locais pode contribuir para que o Brasil avance na direção que a evidência científica e a regulação já apontam: um modelo de atenção que não apenas reconhece os limites da intervenção, mas que faz da qualidade do cuidado — e não do volume de procedimentos — o verdadeiro indicador de excelência hospitalar.

Para saber mais sobre o modelo de atuação do IMCELER e seus projetos em linhas de cuidado especializadas, acesse imceler.com.br ou entre em contato com nossa equipe.


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